sábado, 30 de janeiro de 2010

Rock da Cadeia



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Em tempos propostas estapafúrdias sobre o sistema prisional, como privatização das penitenciárias, brigadianização do serviço (abre o olho, SUSEPE), guarda externa por câmeras de vídeo, tornozeleiras eletrônicas, e sei lá mais o quê, e antes que proponham supositório com GPS para os presos, dou minha singela contribuição ao debate: assistamos Jailhouse Rock.
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A versão acima é a primeira, do Elvis Presley, de 1957. A minha preferida é de Jake & Elwood, cena final do The Blues Broters, que já comentei aqui, mas não achei separada no You Tube para postar. Vai a original, então. Aliás, fiquei com uma dúvida. Será que o Elvis é dos "Brasas" ou dos "Manos"?
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A propósito, para quem, como eu, é anarfa em inglês, a tradução (mais ou menos) está aqui.
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Diário de um cinquentão na academia

"Acabei de completar 56 anos. Minha mulher me presenteou com uma semana de treinamento físico em uma boa academia. Estou em excelente forma mas achei boa idéia diminuir minha barriguinha. Fiz reserva com a "personal trainner" Nádia, instrutora de Aeróbica e modelo de 26 anos. Foi-me recomendado levar um diário para documentar meu progresso, que vai transcrito a seguir.

Segunda-feira
Com muita dificuldade levantei-me às 6 da manhã. O esforço valeu a pena. Nádia parecia uma deusa grega: ruiva, olhos azuis, grande sorriso, lábios carnudos e corpo escultural. Inicialmente, Nádia fez um tour, mostrando os aparelhos. Comecei pela bicicleta. Ela me tomou o pulso, depois de 5 minutos, e se alarmou, pois estava muito acelerado. Não era a bicicleta, mas ela, vestida com uma malha de lycra coladinha. Desfrutei do exercício. Ela me motiva muito, apesar da dor na barriga, de tanto encolhê-la, toda vez que ela passa perto de mim.

Terça-feira
Tomei café e fui para a academia. Nádia estava mais linda que nunca. Comecei a levantar uma barra de metal. Depois ela se atreveu a por pesos!!! Minhas pernas estavam debilitadas, mas consegui completar UM QUILÔMETRO correndo na esteira. O sorriso arrebatador que Nádia deu me convenceu de que todo exercício valeu a pena... era uma nova vida para mim.

Quarta-feira
A única forma de conseguir escovar os dentes, foi colocando a escova sobre a pia e movendo a cabeça para os lados. Dirigir também não foi fácil: estender os braços para mudar as marchas era um esforço digno de Hércules, doía o peito e minhas panturrilhas ardiam toda vez que pisava na embreagem. Fisicamente impossibilitado, estacionei meu carro na vaga para deficientes físicos, até pq, saí mancando. Nádia estava com a voz um pouco aguda a essa hora da manhã e quando gritava me incomodava muito. Meu corpo doeu inteiro quando ela me colocou uma cinta para fazer escalada. Pra que merda alguém inventa um treco pra se escalar quando isso já está obsoleto com os elevadores? Nádia me disse que isso me ajudaria a ficar em forma e desfrutar a vida... ou alguma dessas merdas de promessas.

Quinta-feira
Nádia estava me esperando com seus odiosos dentes de vampiro escroto. Cheguei meia-hora atrasado: foi o tempo que demorei pra colocar os sapatos. A desgraçada me colocou para trabalhar com os pesos. Quando se distraiu, saí correndo e me escondi no banheiro. Mandou um outro treinador me buscar e como castigo me pôs a trabalhar na máquina de remar... me fodi todo.

Sexta-feira
Odeio essa desgraçada. Estúpida, magra, anêmica, chata e feminista sem cérebro! Se houvesse uma parte do meu corpo que pudesse se mover sem uma dor angustiante, eu partiria no meio a vaca que pariu essa xexelenta. Ela quis que eu trabalhasse meus tríceps... EU NEM SEI O QUE É ESSA PORRA DE TRÍCEPS, CARALHO!!! E se não bastasse me colocar o peso para que o rompesse, me colocou aquelas merdas das barras... A bicicleta me fez desmaiar, e acordei na cama de uma nutricionista, uma idiota com cara de mal comida que me deu uma catequese de alimentação saudável, claro.

Sábado
A lazarenta me deixou uma mensagem no celular com sua vozinha de lésbica assumida, perguntando-me por que eu não fui. Só com a vozinha me deu gana de quebrar o celular, porém não tinha certeza se teria força suficiente pra levantá-lo; até mesmo pra apertar os botões do controle remoto da tevê tava difícil...

Domingo
Pedi ao vizinho pra ir à missa agradecer a Deus por mim por essa semana que terminou. Também rezei pra que o ano que vem, a infeliz da minha mulher me presenteie com algo um pouco mais divertido, como um tratamento dentário de canal, um cateterismo ou, até mesmo, um exame de próstata."
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Em tempo: este texto é colaboração do nosso amigo Laval, de Dom Pedrito.
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O Lula no Fórum Social Mundial

Brochei com o discurso do Lula ontem. Foi desanimador. A pior fala do Lula dentre as que eu já vi, ao vivo.

E olha que o esforço foi grande para ouvir o companheiro-presidente. Tinha uma baita duma fila para entrar. No mínimo uns 500m de fila quádrupla. Ia da frente do Gigantinho até um posto de gasolina que tem depois do estádio, dobrava e voltava.


Eu cheguei um pouco atrasado, às 19h, e só consegui entrar depois das 20h30mim. Fiquei ali, exercitando a paciência, que fila é bom para isso. Para matar o tempo, ficava mandando mensagens para minha mulher sobre o andamento (andei 50m, faltam 450 ...), e analisando a fauna ao redor.

Era muita gente, de todas as tribos, como dizem. Na minha frente, uma meia dúzia de adolescentes com camisetas do Che Guevara e altas discussões. O Chê era budista, dizia um, que nada, ele era ateu, contraditava outro. Grandes controvérsias. De consenso, ali, só quando passamos por um outro grupo e jovens com camisetas da UJS, e eles ficaram criticando. Não sei o mais duro é adolescer, ou escutar papo-cabeça de adolescente, depois de coroa.


Atrás de mim, vinha um casal mais ou menos da minha idade aos beijos e abraços. Quando a fila fez a volta, na metade do caminho, eles cravaram no pé. Sei não, mas acho que foram para o motel mais próximo. Mas antes que digam que fiquei só reparando, esclareço que meu interesse era absolutamente cientifico. Observar a diversidade, e aprender com as diferenças.

Vi algumas caras conhecidas na fila. O Paulo de Tarso Carneiro, que não via há uns 15 ou 20 anos, uma referência importante na luta dos bancários. Esse foi um dos que sofreu na ditadura, com demissão do emprego e outras sacanagens. O Paulo de Tarso foi casado com a Helena Carneiro, minha colega de Caixa Federal, uma grande batalhadora que não vejo desde o século passado. Acho que o Paulo de Tarso já deve ter estado pessoalmente com o Lula muitas vezes. Estava em distraído na fila, pensativo. Certamente pensando nas mudanças das duas últimas décadas.

Mais adiante vi o Antônio Lousada, bem faceiro. O Lousada é um grande cara, temos bons amigos comuns como o Rômulo. É sogro do Zé Fonseca, um dinossauro comunista que me filiou no PT, anos atrás, mas agora milita no PSOL. O Lousada apareceu na mídia uns dias atrás, na discussão sobre o Plano de Direitos Humanos, pois ele foi um dos últimos (senão o último) preso político a ser solto aqui no Estado, pelo que me disseram. Soltaram todo mundo e esqueceram ele (ou foi o irmão dele, não sei ao certo, quem me contou isso foi o Ney Malgarin). Vou procurar a matéria que o Rômulo me passou, uns dias atrás, para ver se posto aqui.

Passei também pelo Jorginho, meu amigo de adolescência lá de São Luiz, que foi embora para Santa Rosa na década de 1980, e reencontrei somente no final do ano passado, num almoço com o Bohn Gass. Fiquei feliz ao saber que ele é militante. Acho que trabalha no Luz para Todos. Tava bem faceiro o Leãozinho.

Vi ainda o Stédile, do MST, amargando na fila com um povo, provavelmente companheiros do movimento. Era uma meia-dúzia mas só um tinha boné do movimento. Não devem ter dado ingresso vip para eles. Estavam todos estavam meio emburrados, só o Stédile mais alegre. O governo Lula tem a reforma agrária como um dos calcanhares-de-aquiles.


Em um determinado momento, tive que me esconder quando avistei um enjoado que foi meu colega da faculdade. Um cara muito, mas muito chato. Graças a Deus, aquela mala não me reconheceu, senão era certo que vinha pro meu lado, e me aporrinhava o resto da noite.

Mas voltando ao que interessa, o Lula foi muito aplaudido quando entrou. Antes dele, falaram o Presidente da CUT, dizendo as mesmas coisas de sempre, e a Lilian Celiberti, em um momento bem emocionante.

Mas o discurso do Lula me desanimou. Não sei se foi impressão minha, mas acho que ele errou feio no início, quando disse que era uma grande honra fazer parte "desta conferência de comunicação social" (?). Acho que entregaram os rascunhos do discurso errado, para ele.


Depois, desandou a falar da Rodada de Doha, do livre comércio mundial, dos subsídios, sei lá mais o quê. E explicou umas coisas sobre o encontro do clima em Copenhagem. Tudo bem diferente do que eu achava que iria falar, pois os anúncios, diziam que seria uma prestação de contas dos sete anos de governo, e disso ele não falou quase nada.

Eu queria ouvir sobre os avanços na Educação, como a criação as 14 Universidades Federais e duzentos e poucas Escolas Técnicas. Sobre a geração de empregos, que pelos meus cálculos já deve ter passado dos 12 milhões de empregos formais criados desde o início do governo, passando aquela meta (da campanha) dos 10 milhões de empregos. Da previdência, que não quebrou mesmo com o aumento real do salário mínimo. E do próprio mínimo, agora em mais de 500 reais, quando na época do FHC correspondia a 70 dólares, hoje uns 150 pila.

Queria que ele falasse do Luz para Todos, esse programa revolucionário que levou eletricidade, grátis, a todos os fincões do país. Da recuperação da Petrobrás, e reestatização do petróleo, pelo modelo adotado para exploração do pre-sal. Da reabilitação do Banco do Brasil, e principalmente, da Caixa Federal, hoje sendo realmente aquela caixa que é do povo, que defendíamos 20 anos atrás.

Mais, da incorporação de 26 milhões de pessoas que estavam na dita "classe de consumo" D, para a classe C, gerando um mercando consumidor que nos salvou da crise do capitalismo mundial. E que isso foi realizado por políticas de inclusão social nunca antes vistas na história deste país.

Queria ouvir sobre a política externa, para mim o que melhor andou neste governo. E sobre os incentivos à construção civil, sobre o Nossa Casa Nossa Vida, sobre nacionalização da fabricação das plataformas de petróleo em Rio Grande, a recuperação da indústria naval, o crescimento da indústria automobilística, a redução das taxas de juros (de mais de 20% para 8,5% é grande a diferença), do dólar a menos de 1,80 e tudo mais que nunca como antes andaram tão bem na história deste país.

Aliás, quem anda comparando a taxa de juros do Brasil com a dos EUA deveria fazer outra comparação, mais correta, que é a taxa de juros do governo Lula com a taxa de juros do Governo FH.
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Resumindo: meu desejo mais íntimo era ouvir o que esse governo construiu de bom, para fortalecer minha crença de que valeu a pena. O tal discurso que demarcasse a comparação entre o antes o depois, o prenúncio do debate "plebiscitário" da campanha. Pra mim, era o momento certo para essa fala, que no entanto não foi feita.

Enfim, como já disse, o discurso foi fraquíssimo. Fiquei até preocupado. Se o Lula for ajudar na campanha da Dilma com o mesmo ânimo que estava no Fórum Social Mundial ... tamo fudido.
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PS: Depois de postar este texto, fiquei sabendo que o Lula foi internado num hospital, com uma crise hipertensiva. Nem pode viajar para Davos. Então, acho que está explicada a apatia dele no Fórum. Já devia estar se sentindo mal. Fico mais animado, pois continuo acreditando que a Dilma vai ganhar esta eleição, mas para isso o Lula precisa abraçar a campanha com todo o ânimo. Bem diferente de sua apatia no Fórum.
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Lula lá




Amanhã, às 18h, o Lula vai estar no Gigantinho, em Porto Alegre, no Fórum Social Mundial, para prestar contas dos sete anos de governo. Se tudo der certo, quero estar sentado primeira filha da arquibancada, assistindo de perto
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Nessas horas, é impossível não voltar no tempo. E lembrar de 1989, o ano em que quase chegamos lá. Eu lembro com muito orgulho daquela época. Estava militando ainda no PCdoB, e nossa chapa era Lula e Bisol. Nós nos jogamos na campanha, a primeira eleição direta para presidente, após anos de trevas.
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Foram uns bons meses panfleteando, engrossando comícios e caminhadas, e principalmente pedindo votos. Pedindo votos para um projeto que, acreditávamos, iria mudar o Brasil.
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Mas não nos acreditaram. Talvez fossemos muito jovens, por isso não acreditaram em nosso discurso. Elegeram o Collor de Mello, e foi um desastre. Quatro anos depois, preferiram o Fernando Henrique Cardoso, ignorando nossos argumentos. Mais quatro anos, de novo não nos deram crédito, e repetiram a escolha do FHC.
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Nessa brincadeira de mau gosto, o Brasil perdeu dezesseis anos. O tempo de, pelo menos duas gerações. Mas aí ganhamos. E foi tão bom, que o Brasil repetiu.
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Eu tenho o maior orgulho de voltar a conversar com aquelas mesmas pessoas que eu incomodava em 1989, insistindo para votarem no torneiro mecânico barbudo de Diadema. Eu gosto de poder dizer: Eu estava certo. Eu tinha razão. Aquele projeto mudou o país.
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Então, para celebrar, postei lá em cima o clip da campanha de 1989, Lula Lá, que até hoje me emociona. Eu tinha razão, mesmo.
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Novas lutas

A partir de hoje, este blog está se incorporando a duas lutas muito importantes. Uma delas é contra a Lei do Ato Médico, uma sem-vergonhice de cunho absolutamente mercantilista, que está em vias se ser aprovada no Congresso Nacional, patrocinada por essas entidades de médicos que só pensam em achar meiuos de ganhar mais e mais dinheiro.

A outra é contra o Assédio Moral no serviço público, qual seja, aquela série de perseguições, humilhações e outros coinstrangimentos, reiteradamente assacados por chefias de mau-caráter contra subordinados que ousem ser "diferentes", por sua ideologia, origem, cor da pele, crença religiosa, gênero, orientação sexual e por aí afora.


Se tiver inspiração, quero escrever mais adiante sobre os dois temas.
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sábado, 23 de janeiro de 2010

Valores




O Grêmio vai passar o rodo!

Na quinta-feira o programa Sala de Redação foi transmitido daqui de Imbé. Eu não fui assistir, pois há muitos anos não acompanho o programa. Mesmo quando morava em Porto Alegre, era raro acompanhar, pois é bem no horário de trabalho. Quando fui morar no interior, apareceu o tempo, na hora da sesta, mas não são todas as cidades em que pega a Rádio Gaúcha. E também nunca me interessei muito, reconheço.

Hoje, não sei nem quem participa. Acho que deve ser o Ruy Carlos Osterman, o Paulo Santana, Keny Braga, e mais alguém. Mas acho que não estou perdendo nada. De uns tempos para cá, já disse isso, assisto os jogos na televisão sem áudio (no rádio, ainda não consegui fazer isso), para não ser contaminado pela burrice dos comentaristas, nem aporrinhado com a xaropice dos narradores. E meu entendimento de futebol melhorou muito, eu sinto isso. Da mesma maneira, ficar sem ouvir os "especialistas" deve fazer bem para meu aperfeiçoamento futebolístico.

Bueno, fazia um tempão que eu não me animava a escrever sobre o Grêmio, mas agora me animei. Acho que este ano vamos passar o rodo.

Pela primeira vez em anos, agora temos técnico. O Silas me impressionou positivamente, a partir daquela mexida que fez para corrigir o time em Pelotas, já na primeira rodada. Foi uma decisão corretíssima colocar o Jonas, que para mim é titular absoluto desse time, e uma grande sacada passar o Leandro para a lateral-direita. Não assisti o segundo jogo, contra o Caxias, por estava trabalhando. Portanto, comento só com base no primeiro.

Gostei muito do Leandro, pór exemplo, e acho que ele tem grande potencial para jogar com a oito, de ala, no ataque. É guerreiro, e não pipoca. Gostei também do Borges, embora tivesse a impressão que fosse mais alto, assim como o Leandro. Mas tá bom. E com a fixação do Jonas como titular, o que defendo desde o ano passado, acho que o ataque está bem montado.

O Hugo nós já conhecemos, tem potencial para se destacar definitivamente no futebol brasileiro, este ano. O Adilson também é grande jogador, tem condições para ser titular qualquer grande clube no Brasil, e talvez no exterior. Conquistou e manteve a titularidade, com méritos.

A direção também deu uma melhorada, do ano passsado para este. A reintegração do Joilson ao grupo, por exemplo, é a correção de um erro, pois ano passado houve uma novela para contratar esse cara, e agora, sem nenhum lateral, não era correto deixar ele escanteado. e a contratação do Douglas é um golaço.

Engraçado, trocamos de 10 com o Corínthians. O Tcheco foi para lá, e o Douglas veio para cá. Se fossem da mesma idade, eu ficaria com o Tcheco. Mas tenho a impressão que o Douglas vai arrebentar por aqui.

Então, vai dar para montar um time com cara de grande para jogar o Gauchão. Uma patrolinha: Vitor, Mário Fernandes, Réver e Rafael Marques; Leandro, Souza, Adilson, Douglas e Hugo; Jonas e Borges.

Com exceção do Colorado, dá para enfrentar qualquer adversário no Estado, e os primeiros da Copa do Brasil, se esse time do papel encaixar bem, no campo. Não é necessário um time do tamanho do Grêmio colocar três volantes e cinco zagueiros para jogar contra times Avenida, Novo Hamburgo, CRAC, Brasiliense, e sei lá mais quem. Eles é que devem ter postura de time pequeno, não nós.

Mas se precisar deixar esse time menos faceiro, ou havendo lesões e suspensões, estamos bem de grupo. No gol, o Marcelo Grohe é competente, de confiança. Na defesa, o Maurício, bom zagueiro vindo do Palmeiras, o Joilson para a lateral direita, o Lúcio e o Fábio Santos para a esquerda. Para o meio, Túlio, Ferdinando, Henrique, Mailson, que também tem tudo para estourar este ano. E o William Magrão, que quando se recuperar totalmente da lesão, disputa lugar no time titular. E no ataque, tem o centroavante, William, que eu nunca vi jogar, mas deve dar para quebrar o galho em alguma emergência. E o resto, prata da casa, uns muito promissores, como Colaço, Saimon, Roberson, Bergson, e outros.

Acho que este ano, não vai ter para mais ninguém. É nóis.


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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Humor: O proletário

A representante do Censo pergunta pro gauchinho, lá no fundão da Bossocora:

- Quantos filhos o senhor tem?

- Bueno ... guria são sete, e piá são quatro.
- Humm! Sua prole é bem grande ...
- Grande até que não é! Mas tá sempre dura!

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Sobre a amizade

Recebi um e-mail que bem interessante, sobre amizade. A mensagem conta a estória de um homem que, repentinamente, se descobre caminhando por uma longa estrada, acompanhado por seu cavalo e seu cachorro. Há um sol fortíssimo, que fez com que sintam muita sede. Ele então se dá conta de que estão mortos, os três, mas segue adiante, com os animais, para tentar descobrir onde está.

Depois de muito caminharem, chegam a um oásis, com um portal lindíssimo, de mármore, além do qual há um chafariz, numa fonte de água fresca. O homem se dirige a uma espécie de porteiro, ao qual pergunta que lugar é aquele. O porteiro responde que é o Céu. Ele então pergunta se podem entrar e beber água, ao que o porteiro diz que ele sim, porém não os animais, aos quais não é permitida a entrada no local.

Mesmo com muita sede, o homem fica com pena do cachorro e do cavalo, e desiste de entrar. Seguem os três caminhando, cada vez com mais sede. Muito tempo depois, encontram uma porteira de madeira, aberta, que dá acesso a um caminho ladeado de árvores. Nesse local, há também uma espécie de porteiro, sentado sob a sombra, ao qual o homem pergunta se tem água disponível, ali. O porteiro diz que sim, e indica uma fonte sob as árvores, onde os três companheiros bebem e se refrescam.

Saciada a sede, o homem pergunta ao porteiro: Que lugar é este? O outro responde que é o Céu. Então ele pergunta novamente, Mas como, o Céu não é aquele outro lugar, lá atrás, onde não pude beber porque não podia entrar com meus companheiros? E o porteiro explica que não, que na verdade aquele lugar é o Inferno, onde é feito um último teste com os viajantes: o teste da fidelidade aos amigos. Aqueles que abandonam os parceiros são reprovados.

“Amigos só os dentes, e às vezes mordem a língua”, diz o ditado. Eu não acho que seja assim. Penso que existem amigos verdadeiros, solidários, a quem sempre se pode recorrer sem receios de não ser atendido.

Mas minha tese é que existem, basicamente, dois tipos de amigos. Uns, os “amigos para sempre”, testados e comprovados, à prova de falha, que são pouquíssimos ao longo da vida. Talvez não mais que meia dúzia para cada um de nós. Com esses, podemos contar sob qualquer circunstância, e a qualquer tempo, e dos quais nem o tempo nem a distância nos separa. Ser aceito nesse grupo, por outra pessoa, é com certeza a maior honraria que alguém possa receber.

O outro tipo, que ocorre às dezenas, são as pessoas com quem convivemos bem, às quais devemos também cativar, construindo laços de confiança e solidariedade. São pessoas com as quais podemos contar, da mesma maneira, com a diferença de que um dia, nos afastaremos, seguindo cada qual seu caminho, ficando as boas recordações

Não é proibido ou ilegal ter inimigos. Eu tenho um ou outro. Às vezes, por mais que tentemos, é impossível deixar de angariar desafetos pelo mundo, especialmente na minha profissão. Mas acho que o ideal é seguir sempre, tentando fazer novas amizades, e principalmente mantendo as antigas. Provando e sendo provado, mas sempre se esforçando para andar junto com os bons.

Enfim, sobre amizade, acho que é isso. E se não for, pelo menos é o que eu penso.

ATUALIZAÇÃO DE TEXTO PUBLICADO NO JORNAL
FOLHA DA CIDADE, DE DOM PEDRITO, EM 31.03.2007

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Para ler o Tio Patinhas

Para enfrentar melhor este regime semi-fechado daqui de Imbé, uns dias preso na Delegacia, outros no quarto (só chove, por aqui), mas com direito de sair para fazer refeições, comprei uma Tio Patinhas, um dia desses. Na verdade, não uma Tio Patinhas, propriamente dita, mas um daqueles Almanaques da Disney, com 300 páginas e 20 estórias de vários personagens.

Estão lá, além do pato mais rico do mundo, o Donald, Mickey, Pateta e Superpateta, Peninha e Morcego Vermelho, Professor Pardal, Zé Carioca, etc. O Zé Carioca aparece em duas estórias, uma delas magistralmente desenhada pelo Renato Canini: "Um Paulista na Corte do Reio Momo", contando a visita do Zé Paulista ao primo famoso, para desfilar no carnaval do Rio de Janeiro.

O que me levou a comprar a revista foi por que há três estórias escritas e desenhadas pelo Don Rosa, para mim o melhor desenhista que a Disney já contratou. Uns dois anos atrás, eu já tinha comprado a "biografia" do Tio Patinhas, também com roteiro e desenhos do Don Rosa, e que é fora-de-série.

Sobre a família Pato, lembro que quando eu era criança, estava na moda um livro que denunciava um plano para ideologizar as crianças latino-americanas através da leitura das obras da Disney. "Para Ler o Tio Patinhas" é o nome desse livro. Eu tive a oportunidade de fazer uma "leitura dinâmica" dele, fuxicando os livros que minha filha Ana Paula está utilizando para fazer seu Trabalho de Conclusão, na Faculdade de Design Gráfico da UFPEL ("A Crítica Social nas Histórias em Quadrinhos", que vai ficar ótimo, sem corujice).

Achei (claro que, com minha cabeça de agora) a tese meio exagerada. Coisas comom os patinhos serem assexuados, a louvação da riqueza, e por aí afora, seriam parte do plano maligno da CIA, com a participação das ditaduras militares e do Walt Disney, para nos colonizar culturalmente.
Eu não sei não. Sempre fui viciado em quadrinhos, e gosto muito do Tio Patinhas, desde a infancia. E não fiquei assexuado (ao contrário, ando cheio de testosterona), não me deslumbra o mundo dos ricos, e desenvolvi ideologia bem oposta à "americanização" do Continente.

E, aliás, na "biografia" do Patinhas, essa questão da "geração expontânea" dos personagens é superada, sendo apresentadas a mãe do Pato Donald, o marido da Vovó Donalda, e por aí afora, como se vê ao lado.

Soube até, que anos depois, os autores renegaram a obra, o que é uma pena. Eu entendo o seu conteúdo, meio "teoria da conspiração", pois vivi naqueles tempos difíceis. Na época a coisa era complicada mesmo, tudo era muito ideologizado, e não havia possibilidade de ser de esquerda sem odiar os yanques. Qualquer coisa deixava a militancia paranóica. E, aliás, sempre tem alguém perseguindo um paranóico.

Então, pode ser até que o dito plano maligno existisse mesmo, mas se for assim, parece que não funcionou muito bem, pelo menos no Brasil. Lembremos, no entanto, que o livro foi escrito no Chile, país que adora um governo de direita, alinhado umbilicalmente aos americanos, como se viu na eleição recente. Será influência remota e subliminar do "Plano Disney"? Vai saber.

Retomando o assunto, como dizia, são três estórias do Don Rosa, na revista. A primeira é "Uma Vida de Sonho", na qual Irmãos Metralha usam um invento do Professor Pardal para entrar no sonho do Patinhas, e obrigá-lo a revelar a combinação da caixa forte. O Donald fica sabendo e entra também, para ajudar o tio a resistir. E o sonho visita várias partes da vida de Patinhas Mac Pato, com resultado muito engraçado.

Outra é "A Coroa dos Reis Cruzados", na qual a turma parte em busca de um tesouro, com aqueles roteiros de aventura, bem típicos do Don.
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Mas a melhor é "Esqueça", na qual a Maga Patalógica lança um feitiço no Patinhas e no Donald, para poder roubar a Moeda nº 1. As situações são hilárias. Eu recomendo. É claro, que para ler o Tio Patinhas, ou qualquer obra, em quadrinhos ou não, a primeira coisa a fazer é despir-se de preconceitos. Senão, fica difícil avaliar.

O interessante é que, depois da leitura, fui dar uma caminhada e avistei um pequeno objeto escurecido, meio afundado, no meio da areia. Quando cheguei perto, vi que era uma moeda. Minha mãe me ensinou que nunca se deixa de juntar uma moedinha do chão, mesmo que não tenha nenhum valor. Por que isso, não sei, mas acho que se não juntar, dá azar. Então catei, e vi com surpresa que era uma moedinha de um centavo, já meio judiada e escurinha, apesar de ter sido cunhada há pouco tempo, em 2003.

Mas qual é a chance matemática de alguém ler sobre a moeda número um do Tio Patinhas, sair para caminhar e achar, no meio da areia da praia, uma moeda de um centavo, espécie em avançada extinção? Acho que é sinal que a sorte está mudando. Deve ser indício de coisa boa, pela frente. Tomara.

Bom. Finalizando, e antes que me corneteiem, solicito que, se alguém achar que estou perdendo tempo com futilidades, por favor avise, que daí vou passar a escrever sobre coisas mais sérias. Sobre o Big Brother Brasil, por exemplo.
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sábado, 16 de janeiro de 2010

Outra troca de chefia na Polícia Civil?

São fortes os boatos da "rádio corredor", no sentido de que está sendo preparada uma nova troca no comando da Polícia Civil. O papo é que a Delegada Stela Maris seria nomeada pela Governadora, no máximo até abril, sendo então a primeira mulher a comandar a Polícia Civil no RS (acho até que no Brasil).

Eu até estranho, pois pelo que sei, o Chefe atual, Delegado João Paulo Martins, é bem considerado no Piratini.

Bueno, estranho, mas não duvido. E fico pensando ... a Delegada Stela foi demitida do Detran porque, se não disse, pelo menos insinuou que havia "tráfico de influência" para forçar o pagamento da contestada dívida do órgão com a empresa Atento. Sua nomeação, agora, seria uma questão de confiança.

A Yeda confiaria na Delegada que não aceitou seu comando, naquela vez?

E a Delegada, que foi torrada na época - e ijustamente - aceitaria representar novamente o Governo Yeda? O certo é que a colega ganhou pontos com muita gente, pelo seu comportamento correto naquela questão, preferindo sair do cargo a fazer uma coisa errada. E se aceitasse agora outro cargo de primeiro escalão, nesse mesmo governo, os créditos iriam pelo ralo.

Mas, pelo que conheço da Polícia, quando a "rádio corredor" fala assim, normalmente é porque alguém está realmente serrando a cadeira de outrem. Pode, inclusive, não ser a Delegada Stela, mas uma terceira pessoa interessada em passar a perna nos dois, na luta pela cadeira da Chefia.

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Dica de filme: Chico Fumaça

Entrando na onda do nosso amigo Partisan, quero também dar minha dica de filme para o final de semana: Chico Fumaça, do Mazzaropi.
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Como trabalho só de três em três dias, e não tenho o que fazer por aqui nas horas vagas, descobri uma videolocadora próxima à Delegacia, e tenho assistido uns filmes. Peguei esse fime do Mazzaropi por pura curiosidade, e fiquei encantado. Acertei na mosca, era o que eu precisava assistir para levantar o astral. É um daqueles filmes antigos, rodado provavelmente uns dez anos antes de eu nascer, envolve humor, o que gosto bastante, e política, outra coisa que me interessa.
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No filme, Mazzaropi interpreta o Chico Fumaça, caipira imprestável e preguiçoso que mora em Jequitibá, uma cidade bem pequenininha. Ele não pode beber pois se transforma em fera e surra todo mundo, e seu lazer é ficar olhando o trem passar. Em determinado dia, ele percebe que caiu uma ponte, sai correndo e faz parar um trem cheio de passageiros, salvando todo mundo.
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No trem vinha uma comitiva de políticos, encabeçada pelo Presidente Nacional do Partido Oportunista, que resolve usar o fato para promover seu partido. Promete uma recompensa de duzentos mil cruzeiros, a ser entregue na Capital Federal, Rio de Janeiro, na sede do P.O. Lá, o Chico recebe até uma comenda do próprio Presidente da República (cena que não aparece, é apenas referida). O Presidente devia ser o Gaspar Dutra ou o Getúlio Vargas, não lembro se o nome é mencionado.

Bem interessante é que todo mundo que tratava mal o Chico, passa à adulação despois que os políticos o tratam como herói, e prometem um dinheirão.

Há muitas cenas de rua, no Rio de Janeiro, carros antigos, homens de terno e chapéu (será que não fazia calor na época?) e mulheres usando aqueles vestidões. Cenas em boates, cantores e cantores antigos, etc. Acho bem legal essas cenas em preto e branco do Brasil antigo, ver seus costumes, comportamentos e frases que nos soam muito ingênuos, hoje em dia. Aliás, quem lê com alguma frequência o que eu escrevo percebe que a nostalgia é uma das minhas características fortes.

Pois ri muito, e estou até planejando pegar outro filme do Mazzaropi para assistir hoje. Vou tentar achar um que assisti na TV uma vez, também em preto e branco, no qual ele é um funcionário municipal, encarregado da recolher os cachorros com a "carrocinha". Pelo que eu lembro, é muito engraçado também. Vi que tem também outro, no qual ele é Delegado de Polícia, que também é bom (a ilustração é uma foto desse "colega"). Mas esse eu já assisti.

Então, minha sugestão não é muito "cabeça", mas é essa. Aproveitem.
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Maus

Diário do Exílio. Aqui em Imbé pega o canal da TV Pampa, que fazia muitos anos que eu não assistia. Acho que, no mínimo, uns oito anos. Hoje ao meio-dia, fui dar uma repousada e deixei a TV ligada, ficando surpreso porque ainda existe o programa "Gerrilheiros da Notícia", comandado pelo Flávio Alcaraz Gomes.

Fiquei ali, assistindo, por pura curiosidade, pois pelo que lembro esse programa era a fina flor do reacionarismo dinossáurico da mídia porto-alegrense. Minha surpresa foi com o Flávio estar trabalhando ainda, mas como defendo a atividade como um dos ingredientes da longevidade, não deixa de ser um bom exemplo nesse sentido. Depois, ele melhorou muito nesses anos. Fica só calado, e no final do programa diz o nome de cada um dos participantes, para que se despeçam. Calado, ele é um poeta, como disse o Romário sobre o Pelé.

Um dos participantes, cujo nome não sei, ficou ali contando a história da Anne Frank, e comentando que a mulher que escondeu a família judia
por mais de dois anos, no famoso sótão de Amsterdã, faleceu na segunda-feira, com 100 anos. Outro bom exemplo de longevidade, só que nesse caso, de uma pessoa mais útil. Essa mulher foi também quem descobriu os diários, depois que os Frank foram presos, e os divulgou para o mundo quando a menina já tinha morrido em um campo de concentração.

Eu nunca li o Diário da Anne Frank. Desde adolescente, nunca leio ou assisto nada que saiba, por antecipação, que é muito triste. Casos em que ficam escancarados a miséria da condição humana, e como nos rebaixamos como espécie, me deprimem demais. Não assisti a lista de Schindler pelo mesmo motivo. Nessa área, já me bastou ler o Cavaleiro da Esperança, do Jorge Amado, e Olga, daquele autor que não lembro nome. Acho que o sobrenome é Castro. Estou mal da memória, hoje.

Além disso, já li e reli também o Germinal, do Émile Zolá, o livro que definitivamente me posicionou ideologicamente, pela repugnância ao sofrimento, ainda na adolescência. Então, de tristeza, basta a vida.

Mas ouvindo o cara, me veio imediatamente a lembranda do "Maus", um livro em quadrinhos que minha filha Ana Paula me emprestou mês passado. Venci com custo a relutância de ler sobre o sofrimento, e me encantei com a obra. Coisa de gênio. Obra-prima.

Pelos meus parcos conhecimentos, sei que trata-se de uma obra mais ou menos biográfica, escrita e desenhada por Art Spiederman, um americano, sobre a vivência de seu pai, judeu polonês, no Holocausto. A obra mostra o antes, o durante, e o depois, da passagem dele por campos de extermínio, como Auchwitz.

Cara, esse livro deveria ser leitura obrigatória para todos nós, mas especialmente para aquela parcela (pequena mas importante) de judeus que insiste em defender o regime sionista e racista de Israel em relação aos Palestinos. Sempre me pareceu que Israel mantém, como política de Estado, práticas assustadoramente semelhantes às do regime nazista. Os massacres, bombardeiros de civis, e construção de muros para prender a população palestina em um imenso gueto, cercado por muralhas de concreto, que o digam.

Outra coisa genial é a forma como o Spiegelman utiliza o antropomorfismo (será que é essa a palavra certa?), desenhando os personagens em uma espécie de animal para cada etnia mostrada no romance. Os judeus são, por óbio, ratinhos. Parece que "Maus" é rato, em alemão. Os nazistas os chamavam os judeus de "ratos", pejorativamente. Os alemães eram gatos, os poloneses porcos, os franceses sapos, etc. Fora de série. Não é a toa que o livro é tão premiado.

Bueno, já falei de dinossauros, gatos e ratos. Finalizando, fica então essa sugestão de leitura para o restante das férias. Mas leiam devagar, e não fiquem (muito) tristes.
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Sobre Direitos Humanos

A propósito do Plano Nacional de Direitos Humanos, tenho a declarar que ou a favor. Na íntegra, e ipsis literis.

Neste meu involuntário exílio, com escassez de acesso à internet, tenho acompanhado o tema como posso, na grande mídia, e como outros tantos, fiquei indignado com a forma como o tema foi manipulado. No Jornal Nacional, por exemplo, foi brincadeira a "comparação" do plano do FHC com o atual, que seria "da Dilma". Assisti também na Band, e em outro canal que não lembro, tudo na mesma linha de desinformação.

O que vi na Globo é que a Igreja teria entrado em pânico, porque o Plano sugere a descriminação do aborto. O agrobussnes ficou furioso, porque o plano sugere algumas medidas acautelatórias, antes da reintegração de posse.

As empresas de comunicação, por sua vez, reagiram relacionando o Plano, falsamente, ao retorno da Censura. Sobre isso, está passando até uma propaganda, muitíssimo bem feita, sobre o perigo de ressuscitarem o "monstro da censura". Uma peça publicitária de primeira. Se eu tivesse um publicitário do tipo que bolou essa peça, acho que não teria perdido a eleição em Dom Pedrito.

E por último, mas não menos importante, os milicos de pijama e seu bom interlocutor Jobim, ficaram encagaçados com a proposta de criação da Comissão da Verdade.

Sou a favor da descriminação do aborto. Sou a favor da reforma agrária. Sou contra o monopólio das comunicações. E sou a favor de que se esclareçam os crimes praticados pelos agentes da ditadura, mesmo sabendo que haverá grande debate jurídico sobre a possibilidade de serem punidos penalmente. Pessoalmente, eu acho que a resposta do Supremo seria negativa, nesse sentido.

Bueno, nessa linha, quero então reproduzir adiante um texto excelente do Rodrigo Viana sobre a Comissão da Verdade, publicado no seu excelente blog "Escrivinhador" (atalho ao lado). Lá vai:

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Os cafajestes não querem a Comissão de Verdade

Numa atitude cafajeste, alguns setores da sociedade brasileira apresentam a “proposta” de – ao se instituir uma Comissão de Verdade sobre a ditadura – investigar-se “os dois lados”. Não faz o menor sentido.

É como se, ao fim do nazismo, alguém propusesse: “ok, vamos investigar os carrascos, mas é preciso levar ao banco dos réus também os judeus que resistiram ao legítimo regime nazista”. Estou a exagerar? Não creio.

Os militantes de esquerda já foram punidos: alguns julgados, muitos presos e torturados, vários executados, encarcerados. Falar em “investigar os dois lados” é torturar de novo os que sobreviveram, é torturar a memória dos que se foram. Isso é cafajestagem. Não há outro nome.

É preciso investigar os que seguem impunes. Assassinos e torturadores. A Justiça poderá puni-los? Talvez. Mas o principal é estabelecer a verdade. O resto é consequência.

Respeito aqueles que – como o professor Paulo Brossard, por exemplo – manifestam sua opinião contra a revisão da “Lei de Anistia”. Ex-ministro, humanista, Brossard não apela para a cafajestagem. Ele acha que a lei é fato consumado e que impede punição aos que atuaram na ditadura.

Humildemente, eu que não sou jurista, mas já entrevistei muita gente sobre esse assunto, gostaria de lembrar: a “Lei de Anistia” não precisa ser abolida para que a Comissão de Verdade se estabeleça.

A Comissão não vai punir ninguém. Vai, simplesmente, fazer um relatório oficial – conduzido por representantes da sociedade, mas com aval do Estado brasileiro – sobre as atrocidades cometidas por agentes do Estado durante a ditadura. A Comissão vai dizer: “fulano foi preso em tal circunstância, foi preso em tal instalação militar, torturado sob as ordens do comandante tal e qual, desapareceu no dia tal, sabe-se que o corpo foi levado para tal vala comum etc.”

É uma satisfação às famílias. É um acerto de contas com a memória do país. Na Argentina, no Chile (e também na África do Sul, ao fim do Apartheid) comissões desse tipo se estabeleceram.

No Brasil, o Estado omitiu-se. Coube a Dom Paulo Evaristo Arns (então arcebispo de São Paulo, até hoje detestado por parte da elite brasileira, por ter-se posicionado contras as violações e abusos) comandar a investigação que resultou no relatório “Brasil, Nunca Mais”.

Não foi o Estado que fez a investigação. Mas um grupo da sociedade civil. Sem acesso a arquivos, com todas as limitações que se possa imaginar. O Estado brasileiro precisa prestar contas do que se passou.

As Forças Armadas, inclusive, não merecem carregar esse fardo do passado. Sem dar nomes, sem um acerto de contas, o passado vai voltar a assombrar o Brasil e os militares (e a imensa maioria deles não tem responsabilidade pelos atos cometidos durante a ditadura).

A Comissão é necessária, é justa, está baseada em boas experiências internacionais. Não há nada de "revanchismo" nisso. Revanchismo seria pegar os torturadores e pendurá-los no pau-de-arara, ou arrancar-lhes as unhas e dentes. Não é isso que se propõe. Mas um acerto de contas civilizado.

Pode-se entender, ao fim de tudo, que não se poderá punir ninguém. Essa é outra discussão, que se dá no STF. A OAB entrou com uma ação, pedindo que o Supremo decida: torturador pode ou não ser punido? A Lei de Anistia protege os torturadores?

Há quem entenda que não. O argumento é o seguinte: tortura é crime contra a Humanidade, imprescritível, e o Brasil assinou tratados internacionais nesse sentido; portanto, Lei nenhuma pode valer mais do que tratados internacionais. O STF vai decidir.

Enquanto o STF não decide, algumas famílias usam uma estratégia inteligente. A família Teles, por exemplo, entrou com uma ação declaratória, na Justiça, pedindo que o coronel Brilhante Ustra fosse declarado responsável por torturas quando comandou DOI-CODI em São Paulo. O juiz, em primeira instância, deu ganho à família.

Vejam: é uma ação cível. Não se trata (por hora) de punir Ustra (até porque ele poderia trancar a ação usando justamente a "Lei de Anistia"). O texto sobre a vitória contra Ustra foi o primeiro a ser publicado nesse blog. Sinto orgulho de ter divulgado a informação, em primeira mão, como se pode ler aqui.

Imaginemos que o STF entenda que torturador não pode ser punido penalmente. Seria lamentável. Mas teríamos que respeitar. Ainda assim, a Comissão de Verdade poderia concluir seu trabalho. E, ao final, dezenas de “ações declaratórias” (como a ajuizada pela família Teles) poderiam ser abertas, com base no relatório da comissão.

As famílias têm sido ignoradas pela grande imprensa no Brasil. Os jornais estão ocupados em fustigar o presidente Lula - acusando o governo de “revanchismo” nesse episódio.

Entidades que representam as famílias lançaram uma carta, no fim do ano, no Rio. É uma espécie de roteiro para que a Comissão da Verdade funcione bem. Publico o principal trecho, a seguir ....

Para ler o restante do texto, mais especificamente, a Carta da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, Grupo tortura Nunca Mais/RJ e Cejil, visite o Escrivinhador.

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N.B. (Nota do blogueiro): Dei uma mexidinha na formatação do texto original, para caber melhor no meu blog, mas acho que não estraguei muito. Ao Rodrigo Viana, peço que desculpe o abuso.

N.B. 2 – A ilustração, copiei e colei do Blogleone....

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Cacoete

Para retornar, um pouco de humor. Reconto adiante uma história que ouvi numa borracharia do caminho, enquanto aguardava o conserto de um pneu:

Diz que em um restaurante estava um casal, almoçando, e na mesa da frente havia um rapaz, sozinho. E de cinco em cinco minutos esse cara olhava para a mulher, levantava a sobrancelha esquerda a jogava o pescoço para o mesmo lado, como quem diz "vamos"?

Dali a pouco o homem não aguentou mais. Levantou e tacou o bandejão na cabeça do outro, que se esborrachou no chão. E se foi embora, bufando de bravo, arrastando a mulher pela mão.

O garçon foi ajudar o cliente, estatelado e com pedaços de laminuta por todos os lados. Ouviu-se então o seguinte diálogo:

Garçon: Também, tu não parava de fazer sinal para a mulher do cara, ele tinha razão em se irritar.

Cliente: Não é sinal, é um cacoete. Uns anos atrás eu fui mordido por uma cobra e fiquei com esse cacoete. É irresistível, não consigo controlar. Tu não imagina o tanto de vezes que eu já apanhei por causa disso.

Garçon: Bah, mas que merda! Mas porque que tu não vai num médico, para ver se te tiram esse cacoete?

Cliente: Porque, em compensação, tu não ia acreditar na quantidade de mulheres que eu já peguei graças a ele ...
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Antes que me esqueçam ...

Antes que me esqueçam, explico a ausência dos últimos dias. É que fui convocado para trabalhar na Operação Verão, da Polícia Civil, estando atualmente prestando meu serviço na Delegacia de Polícia de Imbé. A Operação Verão é uma atividade desenvolvida sempre, nesta época do ano, na qual são deslocados muitos policiais do interior do Estado para reforçar o efetivo dos órgãos do litoral, uma vez que há uma migração de turistas, aumentando o número de ocorrências, etc.

Então, fui convocado, e cá estou. Na confusão, fiquei sem internet por vários dias, e agora estou descobrindo as lan house de Imbé. Volto, então, a postar.

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Negros ...


video

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Recebi este vídeo do Vladimir Aguzzi de Oliveira, grande jornalista de Bagé, e bom amigo. Compartilho com vocês, porque o racismo é um tema meio "tabu", no Brasil.

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domingo, 3 de janeiro de 2010

No balanço do blog

Resolvi dar uma olhada no Analytics, para ver como andam as visitas do blog, e fiquei pra lá de satisfeito com o resultado. Eu abri o blog em julho de 2009, e no dia 05 de setembro, com ajuda da minha filha Ana Paula, consegui instalar essa ferramenta interessante, que permite, entre outras coisas, identificar quem anda nos visitando.

O resultado quantitativo é excelente, considerando que não construí nenhuma "estratégia" de divulgação, a não ser e-mails periódicos para uma centena de amigos, e o apoio de blogs parceiros que divulgam meu trabalho em seus favoritos.

O resultado qualitativo, sobre quem lê, também me deixou muito feliz. Há muita gente boa concordando com pontos de vista que eu expresso aqui, e também alguns que discordam, fazendo a crítica civilizada do que entendem equivocado.
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Ainda sobre a os leitores, constatei (sem surpresa, reconheço) que há muitos comentários mandados para meu e-mail particular, especialmente de colegas, que desejam opinar, mas não querem que seus comentários sejam publicados. Considerando as características do nosso trabalho na vida "profana", é até natural que muitos não queiram que seus comentários sejam conhecidos do grande público.

Bueno, retornando ao "balanço", e falando em números, nesse período houve 3.941 visitas, de 2.070 visitantes diferentes, que leram 6.646 páginas do que escrevi. Nada mal, para este blogueiro amador, que muitas vezes não tem tempo para atualizar.

A página mais visitada, disparada, é a que remete às fotografias do cadáver de Élton Brum da Silva, colono sem-terra assassinado pelas costas por um policial militar, em São Gabriel. Foram 863 "olhadas".

Depois, dentre os quinze textos mais lidos, nove são relacionados à luta contra a privatização da água e esgoto aqui em São Luiz Gonzaga. Isso confirma a importância da "cobertura" dada pelo blog a esse assunto.

Abre parênteses: muitas pessoas me perguntam por que me engajei nessa luta, e eu também andei pensando nisso. Acho que a resposta, mais do que motivação ideológica, está na lembrança de uma árvore genealógica que montei uma vez, quando fazia bicos no Cartório de Registro Civil (outra hora eu conto esse causo).
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O "levantamento" que fiz mostra que a minha linhagem, tanto do lado paterno quanto materno, está documentada aqui em São Luiz Gonzaga, sem excessões, até cerca de 1850. Ou seja, apesar de ter morado fora por mais de vinte anos, não sou um pára-quedista. Está provado, documentalmente, que meu DNA habita esta terra vermelha e quente há mais de 160 anos, o que me dá o compromisso de defendê-la, incluído aí o Aquífero Guarany. Fecha o parênteses.

Os dois textos que mais gostei de ter escrito nesse período, "Esta água tem dono" e "Quanto vale uma praça", foram lidos, ambos, por quarenta pessoas. Um bom número, que convido a ser ampliado com visitas de quem não os leu ainda.

Gosto também de "Vinte e um anos atrás", "A maldição do descrédito", e "Primavera de 1979 - O Olívio foi preso", textos menos visitados, mas cuja leitura também sugiro a quem tiver um pouco de tempo e paciência, para me conhecer melhor através do que escrevo.

Assim sendo, considero que o balanço foi positivo. Agradeço a atenção de todos os leitores, comentaristas, corneteiros, etc., e vamos em frente. O ano ainda é uma criança ...
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