terça-feira, 6 de março de 2012

Xenofobia e Racismo


* Por Tomás Rosa Bueno
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Em um vídeo encomendado e assinado pela direção geral de "alargamento" da Comissâo Europeia e dirigido a jovens de 16 a 24 anos de idade, a bela Europa é rodeada e atacada por três inimigos obviamente não europeus, mas multiplica-se, une-se, rodeia os malvados e força-os a render-se - e depois a sumir. 
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O caráter do vídeo é claramente político e guerreiro - nós, os bons, estamos sendo atacados pelos estrangeiros maus, mas vamos vencê-los. É uma clara ação de caracterização de um inimigo externo, dirigida justamente à parcela da população que será a primeira a ser mobilizada em caso de guerra.
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Não seria caso de preocupar-se - afinal, não seria a primeira vez que a Europa tenta sair do aperto atacando ou ameaçando atacar os outros. Acontece que um das facínoras do vídeo é evidentemente brasileiro - um capoeirista negro -, acompanhado de um mestre de kalaripayattu (arte marcial da Índia) e um lutador de kung-fu.
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Um brasileiro, um indiano e um chinês ameaçando uma Europa que julgavam indefesa e rendendo-se quando descobre o verdadeiro poder do velho continente. Faltou a Rússia mas não era preciso: todo  europeu nasce e morre sabendo que o maior - talvez único - sonho dos russos é invadir a Europa.
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* Pescado aqui, no blog do Luís Nassif
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Liberdade para a Libertadores

Há dois anos, o governo de Cristina Kirchner comprou os direitos de transmissão do campeonato nacional para sua tevê estatal, o Canal 7, e passou a revendê-los para as emissoras privadas, com preços que variam de acordo com o índice de audiência de cada uma nos últimos 12 meses. Não parece uma má solução.
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* José Roberto Torero
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Há uma crença, ou lenda, que diz que o mercado é ao mesmo tempo sábio e forte. Se este texto fosse uma charge, o mercado poderia ser desenhado como um velho de barbas brancas mas com músculos de Maciste (ou de Conan, se você perdeu os filmes italianos da década de 60).
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Sendo sábio e forte, o mercado perceberia as necessidades da sociedade e rapidamente encontraria uma saída. Mas, como a maioria das lendas, há uma certa fantasia nisso.
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A prova pode ser vista, ou melhor, pode ser não vista esta semana. É que muitos amantes do futebol deixarão de ver os jogos da Libertadores, a principal competição do continente.
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Os seis times brasileiros estarão em ação entre terça e quinta-feira, mas só poderemos ver o jogo do Corinthians, pela Globo, e o do Fluminense, pela FX.
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E quanto aos torcedores de Internacional, Santos, Vasco e Flamengo? E quanto aos torcedores de outros times que gostariam de ver estas partidas?
Eles não verão nada, a não ser que façam parte de uma minoria dentro da minoria, ou seja, dos assinantes de TV a cabo que são clientes de operadoras que trabalham com a Fox Sports.
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Segundo a Anatel, hoje os assinantes da tevê paga se dividem assim: Net: 37%, Sky: 29,79%, Embratel: 17,89%, Telefônica: 4,29%, Oi: 2,76%, Abril: 1,27%, Outros: 6,99%.
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Como a Fox Sports não se acertou com Net, Sky e Embratel, 84% dos assinantes das tevês pagas não verão a maioria dos jogos da Libertadores.
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Isso acontece porque temos um choque de monopólios. As três grandes operadoras detêm o monopólio do público, e a Fox possui o monopólio da transmissão. Como não houve acordo, todo mundo sai perdendo: as operadoras, a detentora dos direitos, os clubes, os patrocinadores e principalmente nós, que gostamos de futebol.
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Já que as tevês são concessões públicas e o futebol está enfronhado com o poder institucional (basta lembrar que há uma Timemania mas não uma Escolamania ou uma Hospitalomania), o assunto pode ser considerado um assunto de estado. Assim é na Argentina.
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Há dois anos, o governo de Cristina Kirchner comprou os direitos de transmissão do campeonato nacional para sua tevê estatal, o Canal 7, e passou a revendê-los para as emissoras privadas, com preços que variam de acordo com o índice de audiência de cada uma nos últimos 12 meses.
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Não parece uma má solução. Democratizaria os direitos de transmissão, quebraria monopólios e estabeleceria uma competição entre as emissoras, que por sua vez pagariam de acordo com sua audiência, sem correr grandes riscos.
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A tese vai ao encontro da proposta do leitor Flávio Pietrobelli, autor do comentário que motivou este texto: “Creio ser a hora de batalharmos pela mudança da regra: que todos os canais possam transmitir livremente qualquer espetáculo. (...) Aquele que tiver maior índice de audiência poderá vender propagandas mais caras.”
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É uma proposta democrática e que atende às premissas do livre mercado. O problema é que ter o monopólio geralmente é mais lucrativo do que competir.
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* Bom texto José Roberto Torero, pescado de Carta Maior, via Esquerdopata.
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segunda-feira, 5 de março de 2012

Serra e os Estados Unidos do Brasil - Não é ato falho, é complexo de vira-latas

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Ato falho de Serra reflete mentalidade tucana

Em um samba composto em parceria com Maurício Tapajós, o grande letrista Aldir Blanc contrapõe o Brasil – território lúdico-mítico de “Sertões, Guimarães, bachianas” e de “Jobim, sabiá, bem-te-vi” – ao Brazil – projeção ditatorial de um país subalterno e ignorante, condenado a imitar os modismos, a estética e o consumismo norte-americanos. Gravada magnificamente por Elis Regina, “Querelas do Brasil” tornou-se, se não um sucesso, um objeto de culto nacional.

Que me perdoe Aldir (cujas crônicas boêmias e malandras eu cultuo como a objetos de arte feitos do mais genuíno humor), mas a lembrança da música foi a primeira coisa que me veio à cabeça ao ver José Serra chamando o país em que sonhou um dia governar de Estados Unidos do Brasil.
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Para além do aspecto cômico da fala e do que revela de desconhecimento histórico básico, trata-se de uma troca de palavras significativa, que explicita – como o clássico ato falho freudiano que é - a visão de mundo do político peessedebista e evoca a dinâmica da relação entre o nacional e o internacional em um passado não muito distante.

Nunca fomos tão vira-latas

Refiro-me, é claro, aos oito anos em que Fernando Henrique Cardoso esteve no poder, um período durante o qual o deslumbre com o que fosse estrangeiro atingiu um tal nível de transbordamento que só pode ser equiparado à vergonha de ser brasileiro exibida pelo tucanato e por seus eternos apoiadores na mídia – e por estes bombardeada noite e dia à população.

Não que a baixa auto-estima nacional fosse uma novidade trazida pelo tucanato. Nelson Rodrigues, antes da Copa de 1958, afirmava que o “complexo de vira-latas” - por ele definido como "a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo" - era o principal adversário do "escrete canarinho". Mais importante: toda uma reflexão sobre o país, dominante por quase duas décadas a partir de fins dos anos 50 - e que seria tematizada de forma recorrente pela produção cultural do período - identificava no atraso estrutural da nação e em sua condição de subdesenvolvimento a chave para compreender seus problemas e superá-los.

Razões de fundo

A novidade trazida por Collor e aprofundada pelos tucanos foi que o complexo de inferioridade do brasileiro deixou de se apresentar apenas como um sintoma (a ser, portanto, mitigado à maneira que a defasagem estrutural fosse sendo superada) para se tornar objeto de culto, a ser estimulado e agravado - tarefa da qual se incumbiram com deleite jornais, revistas e programas televisivos (cujo exemplo acabado é o anacrônico Méanrratan Conéquichion).

Em uma época em que globalização e neoliberalismo ainda eram largamente compreendidos como termos obrigatoriamente indissociáveis - como se pode aferir pela leitura de alguns dos principais textos teóricos da primeira metade dos anos 90 -, tal operação se deu, sobretudo, devido a um imperativo ditado pelo receituário do Consenso de Washington, adotado como princípio orientador das políticas de Estado: a necessidade de predispor ideologicamente o público a se convencer, primeiro, de estarmos condenados a ser uma nação atrasada e subalterna ante a superioridade insuperável do "primeiro mundo". Em segundo lugar, de que a única solução para nossa redenção seria acatar os pressupostos da "nova ordem econômica mundial" ditada pelos EUA e, enxugando ao máximo o tamanho e as funções do Estado brasileiro, em torno de tal país orbitar, abrindo mão de nossa identidade como nação e aceitando passivamente a incapacidade de comandar nosso destino. O objetivo final a coroar tal empreitada seria a adesão à ALCA, o tratado de "livre-comércio" engendrado por Washington e que - como o exemplo mexicano o demonstra de forma cabal - fatalmente levaria o Brasil a um penoso retrocesso econômico e social.

Príncipes e jecas

É dentro dessa lógica que se insere o fato de que o príncipe – digo, o presidente – de turno, no seu chilique mais aloprado, tenha reagido à pressão popular contrária às medidas recessivas que tomara afirmando que “os aposentados são vagabundos e os brasileiros, caipiras”. O adjetivo “caipira”, nesse contexto, é não só utilizado no intuito claro de desqualificar, mas de atingir seus alvos com uma grave acusação de ignorância e desconhecimento do que seja o mundo. O caipira, para FHC, não diz respeito ao ser social, inserido em uma cultura telúrica e historicamente premido por um processo de "persistências" e "alterações", de que nos fala Antonio Candido - mas a um emblema estático da brasilidade como traço negativo. Daí resulta um paradoxo: ´para o outrora celebrado sociólogo, todos os brasileiros são caipiras, e o problema de ser caipira é justamente ser brasileiro.

Por outro lado mas em sentido semelhante, dizer que algo é “de Primeiro Mundo”, embora fosse uma expressão antiga, tornou-se, nos anos FHC, moeda corrente, a expressão valorativa por excelência. Enquanto a população sofria com os baques que a economia do país sofria à mínima crise internacional (fosse ela russa, mexicana ou nos "tigres asiáticos), o desprezo ao que fosse nacional e o ódio ao que fosse estatal eram incentivados pelo tucanato no poder e pela mídia corporativa (que apoiou o governo FHC com uma subserviência deslumbrada e acrítica indigna de ser chamada jornalismo). Foi nessa toada - e exibindo o salário do mais abonado magistrado como se fosse a regra entre o funcionalismo - que se convenceu parte da população de que as privatizações modernizariam o país e acabariam com os "barnabés" (a gíria pejorativa com que 9,9 de cada dez colunistas - esses mesmos que aí estão - se referiam aos trabalhadores empregados pelo Estado)

Cenário em mutação

O pós-11 de setembro, com a diminuição do poder norte-americano, a ascensão dos BRICs e a chegada ao poder – na América Latina, sobretudo – de governantes de centro-esquerda, trouxe, aos poucos, uma mudança de cenário, a qual, somada às possibilidades interativas da web 2.0 e ao grande acréscimo na inclusão digital mundial, permitiu vislumbrar que o fenômeno globalizante e a ideologia neoliberal não eram, sempre e necessariamente, indissociáveis.

Havia, percebe-se, aspectos da globalização - como a ação comunicacional e político-social a partir da internet ou a troca gratuita de arquivos de áudio e vídeo - que permitiam, na verdade, contra-atacar pontualmente e questionar o neoliberalismo.

É no âmbito desse novo cenário que o governo Lula, a partir de sua política externa - caracterizada por prioridade às relações Sul-Sul e aos BRICs, parcerias e auxílio aos países mais pobres da América do Sul, África e Oriente Médio e ímpeto de representar países em desenvolvimento em fóruns internacionais,, recusa à Alca e tentativa de diminuição do poder de influência dos EUA no país - e de sua atuação cultural interna - em que se destacam a valorização da cultura nacional, a pulverização das verbas para além do eixo Rio-SP, e a inclusão sócio-cultural via Pontos de Cultura -, paulatinamente insere uma nova dinâmica no imaginário acerca do locus do Brasil e do brasileiro no contexto de um mundo globalizado.

Um aspecto muito importante a ressaltar em relação a esse processo é constatar que a redenção de um complexo de inferioridade secular, ainda que se dê, atualmente, de modo parcial e para parcelas da população, não foi substituída, via de regra, por um nacionalismo tacanho nem por um patriotismo fanático.

Provincianismo em crise

Há de se considerar, como pontos polêmicos a discutir, a presença do exército brasileiro no Haiti e o temor crescente, entre alguns de nossos vizinhos sul-americanos, de que o Brasil esteja se tornando imperialista (acusação que não é nova: trabalhando como jornalista na Bolívia, em 2001, fui fisicamente agredido por skinheads que demonstravam ódio ao “imperialismo brasileiro”).

Mas é preciso ser obtuso ou desonesto para negar que a melhora da economia real verificada na última década, com decréscimo substancial das taxas de desemprego e aumento do poder de compra, a ascensão de uma nova e volumosa classe média, bem como o acesso - ou o incremento do acesso - a bens de consumo durável, lazer, acesso digital e viagens aéreas acabaram por modificar para melhor a auto-imagem de parcela revelante da população - um fenômeno que tende a se tornar ainda mais evidente ante a contraposição da atual situação brasileira à grave crise econômica que ora levam, infelizmente, a população dos EUA e de vários países europeus a amargar uma penosa débâcle social.

Além disso, não obstante os muitos desafios postos ao Brasil em termos de redução da desigualdade, saúde, educação e demais itens da pauta dos direitos humanos avançados, tanto o grau quanto o perfil axiológico da visibilidade do país no exterior são hoje maiores e mais positivos do que nunca. "A crítica permanente ao Brasil está fundada em excesso de provincianismo", observou o sociólogo Alberto Carlos Almeida, em artigo no Valor Econômico.

Mas, com um número cada vez maior de brasileiros viajando ao exterior, cada vez mais gente descobre que a oposição simplista entre um país incompetente e fadado ao fracasse e um "primeiro-mundo" perfeito e irretocável não passa de uma falácia. -certo-apesar-dos-ceticos - o que, evidentemente, também reverte em acréscimo da auto-estima nacional.

A volta do atraso

Tudo isso fez com que o discurso negativista sobre o país, só enxergando suas mazelas, além de alimentar provincianos convictos, se tornasse uma das principais bandeira dos setores conservadores, mais um componente a se juntar ao discurso moralista que se tornou praticamente a única estratégia discursiva de uma oposição que não tem projeto para o país, que há mais de uma década combate o governo de turno valendo-se tão-somente de ataques neoudenistas.

Ora, é a essa mesma oposição a que José Serra pertence. E não é preciso nenhum esforço para enxergar no ora pré-candidato a prefeito de São Paulo a mesma empáfia, a mesma arrogância, o mesmo desprezo pelo Brasil e pelo povo brasileiro que o presidente a que serviu como ministro da Saúde e do Planejamento ostentou por oito anos - os quais só foram dourados na boca e na pena dos colunistas a serviço do mercado, pois para a maioria da população foram de penúria, desemprego e carestia.


Mais do que um lapso eventual, a menção aos "Estados Unidos ao Brasil", feita por Serra, é a expressão do desejo de regresso a um estado de coisas em que as elites brasileira traficavam a riqueza do país em troca das migalhas que se lhes atirava o grande capital internacional, enquanto o povo chafurdava no subemprego e na miséria.



* Escrito por Maurício Caleiro
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sábado, 3 de março de 2012

O velhinho e o auditor da Receita Federal

A Receita Federal decide fazer auditoria na declaração do velhinho, e convoca-o para o escritório da Receita Federal.
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O auditor ficou surpreso quando o velhinho apareceu com seu advogado.
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O auditor disse, bem o senhor tem um estilo de vida extravagante, e sem emprego o tempo todo. Como pode querer se explicar, dizendo que ganha dinheiro no jogo? A Receita Federal não considera crível.
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Eu sou um Grande jogador, e eu posso provar isso, diz o velhinho. Que tal uma demonstração?
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O auditor pensa por um momento e disse: Ok ... Vá em frente.
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Avô diz: Eu aposto com você mil reais que posso morder meus próprios olhos.
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O auditor pensa um instante e diz: Tá apostado.
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O velhinho tira o olho de vidro e morde. O queixo do auditor cai.
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O velhinho diz: Agora, eu aposto mais dois mil reais que eu posso morder meu outro olho.
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Agora, o auditor, sabendo que o velhinho não é cego, topa a aposta.
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O velhinho tira a dentadura e morde seu olho bom.
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O auditor atordoado percebe que apostou e perdeu duas vezes, e tendo o procurador do velhinho como testemunha. E começa a ficar nervoso.
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Quer ir para o dobro ou nada? Desafia o velhinho.
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Aposto seis mil reais que eu posso ficar em um lado da sua mesa, e fazer xixi na lixeira do outro lado e não cair nenhum pingo sobre a sua mesa.
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O auditor, duas vezes queimado, é cauteloso agora. Mas ele olha com atenção, e decide não há nenhuma possibilidade de ele fazer aquilo sem respingar sobre a mesa, então ele topa de novo.
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O velhinho fica ao lado da mesa e abre sua calça, mas apesar de ele forçar poderosamente, ele não consegue fazer o fluxo do mijo alcançar a lixeira do outro lado. Então ele praticamente urina em toda mesa do auditor.
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O auditor da saltos de alegria, percebendo que ele acabou de fazer de uma grande perda em uma grande vitória.
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Entao ele vê que o advogado estava aos gemidos e com as mãos na cabeça.
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Você está bem? O auditor pergunta.
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Não. Não.. diz o advogado. Esta manhã, quando meu avô me disse que tinha sido convocado para uma auditoria, ele apostou comigo vinte e cinco mil reais que ele poderia vir aqui e fazer xixi em sua mesa e que você ficaria feliz com isso!
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Não adianta, idade é experiência!

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Contribuição do Dr. Marcelo Blaya Perez, através da Djanira.
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sexta-feira, 2 de março de 2012

Velib - O sistema de bicicletas públicas de Paris

* Da série Escritos Antigos
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A prefeitura de Paris inaugurou, dia 15 de julho [de 2007], o Velib, um serviço público de aluguel de bicicletas que imediatamente conquistou a simpatia e adesão, não só dos parisienses, mas também dos milhares de turistas que visitam diariamente a capital francesa.
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O nome Velib é uma contração de vélo (bicicleta) e liberté (liberdade), e o serviço faz parte de um programa que visa reduzir em 40% a circulação de veículos, até o ano de 2040.  Para isso, a prefeitura colocou à disposição 20.000 bicicletas públicas, com características especiais de conforto e resistência, como se pode ver na fotografia reproduzida ao lado.
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As bicicletas ficam disponíveis em 750 estações espalhadas pela cidade, distantes a não mais de 300m uma da outra. O usuário aluga a bicicleta, transita por ciclovias até seu destino, e ao final do seu trajeto, pode deixá-la em qualquer outra estação.
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A primeira meia-hora de uso é gratuita, mas a partir da segunda meia-hora já é cobrado 1 euro (R$ 2,50), a partir da terceira 2 euros (R$ 5,00), e 4 euros (R$ 10,00) a partir da quarta meia-hora. É possível, também, fazer uma assinatura diária por 1 euro, semanal por 5 euros (R$ 12,50) ou mesmo anual por 29 euros (R$ 72,50). Bem mais barato que comprar uma bicicleta por aqui.
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A cobrança é feita dessa maneira, ficando progressivamente mais cara, para incentivar o usuário a utilizar o veículo em viagens curtas, já que uma pesquisa mostrou que os parisienses costumam morar a não mais que trinta minutos do trabalho. Assim, indo de Velib, pegando a bicicleta na estação mais próxima de casa e deixando na mais próxima do trabalho, o transporte sai de graça.  Zero de poluição, e ainda queima umas calorias.
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Para manutenção das bicicletas, há técnicos que vão de estação em estação, consertando as levemente danificadas e recolhendo as que necessitam reparos maiores, tendo sido criados 400 empregos no sistema.
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Até agora [este texto foi escrito 90 dias após a criação do serviço], foi preciso substituir 180 bicicletas avariadas por vandalismo, e outras 100 que foram furtadas, mas, apesar disso, a Prefeitura avalia como ótimos os primeiros resultados do Programa. No final de setembro as vélo já haviam sido alugadas cinco milhões de vezes, sendo que 113.000 locações foram em horário de pico do tráfego, o que demonstra que as pessoas estão usando o serviço para ir de casa ao trabalho, e vice-versa.
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Também são impressionantes a marca de um milhão de locações após as 21h (certamente para lazer, pois é verão na Europa), e a quantidade insignificante de acidentes, apenas 28 casos, nenhum de gravidade.
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Achei importante registrar essa iniciativa barata, ecológica, e revolucionária em termos de trânsito, que nos faz lembrar que a construção de ciclovias em Dom Pedrito é uma idéia que está caindo de madura, e também com um custo baixíssimo, considerados a segurança e conforto dos usuários [a cidade é muito plana, todas as ruas tem canteiros centrais, sendo fácil de separar um metro de cada lado, asfaltar essa pequena faixa, e isolar dos carros com um singelo meio-fio].
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As ciclovias trariam grande benefício para as centenas de pessoas que usam bicicletas para ir até o trabalho e a escola, ou simplesmente para lazer ou esporte. E de lambuja, resolveriam também o grande problema das bicicletas trafegando nas calçadas, que anda gerando tantas reclamações.
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* Publiquei este texto em 13.10.2007, no Jornal Folha da Cidade, de Dom Pedrito. Depois, quando concorri a Prefeito, tinha em meu plano de governo a proposta de construir ciclovias na cidade, que tem geografia adequada e espaço suficiente nas vias para sua implantação. Acredito que algumas das quase quatro mil pessoas que votaram em nossa candidatura o fizeram por esse motivo. Não pretendia criar lá nenhuma espécie de "velib", pois não daria certo. Mas vários traçados de ciclovias pela cidade eram - e ainda são - perfeitamente possíveis de serem construídos, a custo baixíssimo. Bueno, perdi, e ai dos vencidos, já diziam os romanos... Já aqui em São Luiz Gonzaga implantar uma ciclovia seria muito complicado, devido ao grande número de aclives e declives de acentuado grau de inclinação. Além disso, nossas as ruas são bem mais estreitas, não havendo como separar um espaço só para ciclistas. Mas enfim, um dia alguém encontrará uma solução para isso.
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Mudaram o nome do Brasil (em 1967) e não avisaram o Serra...

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Mudou???
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E tem gente que queria essa coisa como Presidente da República!
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quinta-feira, 1 de março de 2012

As razões do meu blog

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Hoje, este blog ultrapassou a marca de 50 mil visualizações de página, desde 05.09.2009. Nesse período, 19 mil pessoas nos visitaram 34 mil vezes.
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Eu já escrevi para jornais, publiquei um pequeno livro (brochura, na verdade), tive um programa de rádio com dois amigos, e acabei optando por esta ferramenta de comunicação por alguns motivos bem específicos. 
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Primeiro, o blog é meu. Assim sendo, o que eu desejo expressar não fica sujeito à boa vontade de donos de jornal ou rádio.
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Nas pequenas cidades brasileiras, está infelizmente consolidada transformação dos jornais, rádios, e até mesmo de alguns sites, de imprensa para empresa. E no momento em que o administrador precisa se preocupar com aquilo que o anunciante irá pensar, sobre a repercussão de tal ou qual notícia ou opinião veiculada, e mais ainda, sobre como isso irá refletir na cobertura da folha de pagamento ao final do mês, sofrem os polemistas, como eu, e as portas se fecham (inexoravelmente, às vezes). 
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Citando um exemplo, e modéstia à parte, lembro que quando criei o blog não havia qualquer debate sobre privatização dos serviços de água e esgoto, já em curso na época, em nenhuma das mídias de São Luiz Gonzaga. Um bloqueio invisível e inexplicável. O blog, nesse sentido, cumpriu sua finalidade de romper o bloqueio, ajudando a, pelo menos, pautar o assunto na mídia tradicional, o que alguns fizeram - aliás - com mal disfarçado contragosto.
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É que, se eu mesmo gerencio a mídia, se não dependo de anúnciantes ou "apoios culturais", e se expresso minha opinião, então sou efetivamente um homem livre.
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Mas tem outras coisas. Quando a gente escreve em jornal, por exemplo, a coluna fica lá, na margem de uma página, onde uma ou duas pessoas lê, ou as vezes nem isso, apenas "olha". Depois, o jornal é fechado, e o destino da nossa maravilhosa criação é a lata de lixo seco. Dificilmente aquele texto retornará aos olhos de alguém. 
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Em rádio, pior ainda. Falou, e a palavra está solta no Universo. Passado aquele momento, nunca mais.
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No blog não, pois quem o visita já vem com a intenção de ler o conteúdo, ver a charge, saber nossa opinião sobre determinado assunto. E o arquivo fica disponível na rede, possibilitando até que nosso texto possa ser lido muitos anos depois de ter sido postado. Claro que isso traz uma responsabilidade a mais - com a coerência, por exempo. Mas é uma responsabilidade boa.
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E há também o alcance que a internet possibilita. Quem, escrevendo em pequenos jornais, alcançaria 50 mil olhares, em dois anos, como hoje este blog alcançou?
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Outra coisa que gosto do meio virtual é a possibilidade de postar imagens ou vídeos, impossível nas mídias tradicionais. Muitas vezes nossa opinião sobre determinado assunto pode ser expressa pela simples reprodução de um desenho, uma fotografia, um clip. Além disso, dá para brincar com cores e tipos no texto escrito, negritando uma palavra, destacando em vermelho uma frase, etc.
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Não dá para esquecer, por óbvio, do principal recurso do blog - a interatividade. Receber comentários, ter a resposta do leitor, é uma coisa rica demais para quem escreve. E como diz minha mulher, ninguém escreve se não deseja, intimamente ao menos, ser lido. Meu blog não tem volume de frequência suficiente para ter muitos comentários. Mas quando eles vêm, eu gosto, mesmo que seja em outro espaço, através de e-mail, por exemplo.
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Por último, e talvez principalmente, este blog é o espaço perfeito para liberar o pequeno tirano que mora aqui dentro. Aqui, eu publico o que eu quero. Se alguém me corneteia com um comentário que não gosto, não me constranjo: vai pro lixo
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Imparcialidade? Jamais. Este blog sempre foi parcial, e continuará sendo. 
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Apaixonadamente parcial quanto às causas em que acredito. 
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Não é sem motivo que uma das primeiras coisas que fiz quando "abri" o blog foi o anúncio de entrada, á em cima "Aviso aos Navegantes: este blog não é imparcial, é de esquerda...". Exercendo a censura de cá para lá, me vingo um pouco dos Marinho, Frias, Sirotski. Não que isso vá afetar a cotação de suas ações na bolsa, mas...
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