quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Minha opinião sobre usuários de drogas

São bandidos? Noventa e nove por cento, não.
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São coitados que não conseguem largar o vício? Noventa e nove por cento, não.

São caso de saude pública? Sim. 
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São caso de Polícia? Também.

Maconha é droga perigosa? Sim.
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A venda de maconha, controlada pelo Governo, diminuiria o tráfico e a violência? Sim. 
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Quem compra drogas, financia a violência? Sim.
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Para mim, é simples assim.
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terça-feira, 21 de agosto de 2012

sábado, 18 de agosto de 2012

Elvis não morreu

Esta semana fez 35 anos que Elvis não morreu, então resolvi postar algumas interpretações do maior cantor de todos os tempos. É difícil escolher três, entre dezenas de músicas do Elvis, mas pesquei do Youtube uma movimentada, uma romântica e uma outra que gosto muito. Vai lá:

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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Mídia Bandida

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Por essas e outras, cancelei minha assinatura de ZH há mais de dois anos, o que, aliás não está me fazendo falta alguma.
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A Abelhinha esqueceu de lembrar a herança maldita que o Governo do PRBS (Partido da RBS) deixou, após as gestões de Rigotto e Yeda, este último até com alunos "confortavelmente" instalados em contâineres, as famosas escolas de lata.
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Por outro lado, o Tarso tem que dar uma solução, logo, para a questão do piso salarial dos professores, investir nas escolas, enfim, definir a educação como prioridade real, e ousar, nessa área, como fez quando Ministro da Educação, ao iniciar a criação as novas Universidades (quem sonharia com uma Universidade Federal em Cerro Largo, por exemplo?) e Institutos Federais de Educação. 
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Acho a gestão atual da Secretaria da Educação imóvel demais para as necessidades da área, e alerto: se a coisa continuar assim, daqui a quatro anos, vamos ter que dar razão à Rosane Oliveira. 
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Esta postagem foi inspirada na leitura de hoje do Diário Gauche, indispensável blog do Cristóvão Feil.
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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Hoje é aniversário da morte de Brecht

“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o preço do pão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha, e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.”
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Hoje é aniversário da morte de Bertold Brecht (14.08.1956, segundo a Wikipédia). Então, não custa nada postar O Analfabeto Político, que é velho, todo mundo conhece, mas não custa mostrar pros analfabetos políticos, de vez em quando.
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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

El cumpleaños de Fidel

Hoje é aniversário de Fidel Castro Ruz, 86 anos, nascido no iluminado dia 13 de agosto de 1926, ao qual desejo pelo menos mais uns 86 anos de vida.
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Fidel, para quem não sabe, é um aposentado cubano que escreve neste modesto blog, de vez em quando.
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Ultimamente, não tenho postado nada dele, porque está cumprindo suspensão imposta por nosso Conselho Editorial, por ter participado da bajulação ao Bento XVI, quando o Arauto do Atraso (e Proibidor das Camisinhas, Repreensor dos Gays, Protetor dos Padres Pedófilos,  Obrigador de Mulheres a Parirem Anencéfalos, Vetador das Pesquisas com Células Tronco, dentre outros epítetos) esteve visitando Cuba.
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Considerando a idade, e por regalo de cumpleaños, vamos suspender a penalidade. Afinal, ele já deve ter sofrido o suficiente e feito autocrítica. Assim, logo postaremos algum de seus escritos.
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Mas, quem não quiser esperar, pode ler suas Reflexiones diretamente aqui, no Cubadebate.cu.
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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Buena Terra Missioneira

Hoje eu fui na Bossoroca, viagem curta mas "sempre muito prazeirosa", como diz o outro. Acho essas coxilhas de São Luiz até lá uma das mais belas paisagens do Estado, e sinto uma energia boa quando passo por elas. E ainda mais agora, que tem chovido, está tudo muito bonito.
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Há uns três meses, dava pena de passar em alguns lugares. As pastagens nativas estavam tão secas e brancas que parecia haver uma camada de neve, ou cinzas, cobrindo os campos. Foi uma seca terrível. O prejuízo vai demorar alguns anos para ser recuperado. Mas agora, que choveu, está tudo verde, renovando a esperança desse povo xucro do garrão do Brasil.
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Sobre assuntos policiais, está tudo tranquilo, na Buena Terra Missioneira. Não temos crimes graves há algum tempo. O último homicídio foi há quase um ano, em setembro de 2011. De lá para cá, de grave, que eu lembre, só a prisão em flagrante de um maluco que ateou fogo na casa da ex-companheira, e depois ficou um tempão preso.
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E como eu faço, lá de vez em quando,  dei uma paradinha no cemitério, logo na entrada, para visitar a sepultura do Noel Guarany, de quem sou fã número um desde a adolescência. Foi nesse cemitério, aliás, que aconteceu aquele causo do Deus e o Diabo na Bossoroca que contei aqui, uma vez. 
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Dei até uma de turista, e bati umas fotografias para compartilhar. Não sei quem projetou esse monumento, mas é bem bolado. Tem uma cerca de pedra, outra de madeira, e uma cruz missioneira na qual os joão-de-barro fizeram seu condomínio. Completando, há uma guitarra encostada na cruz, e um pala velho estilizado em zinco, pendurado no braço direito.  
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Na placa de granito, uma pajada do Noel, muito bem escolhida: "E vou calando a guitarra / A deusa da pulperia / Que me acompanha gaudéria / Nas minhas andanças bravias / Deixando na alma do Pampa / Um rastro de melodia".
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Bueno, já mostrei as fotos, para quem ainda não conhecia, e vou me despedindo. 
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A propósito, peço desculpas caso já tenha postado a mesma coisa, e esteja repetindo. Tenho alguma coisa disso na memória, mas estou com preguiça de conferir. Ou talvez tenha pensado em postar e desisti ... sei lá. Acho que estou ficando caduco.
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Mas uma coisa eu lhes digo: estava meio amolado, mas voltei novinho "Dos pagos da Bossoroca / Onde a galinha não canta / E o tatu não sai da toca / E o Campo Santo tá aberto / Praquele que me provoca... "
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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Uma boiada no caminho...

Ontem fui a São Nicolau, como faço pelo menos uma vez por semana, pois respondo pela Delegacia de Polícia da Primeira Querência do Rio Grande, há mais ou menos um ano.
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Para quem não sabe, São Nicolau foi o primeiro dos Sete Povos das Missões, fundado em 03 de maio de 1626, pelo Padre Roque Gonzales, esse mesmo que há uns vinte anos virou santo da Igreja Católica. 
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Gosto de lá. É sossegado, o povo é simples, as pessoas não tem pressa. E as ruínas da redução guaranítica são bem no centro, em uma grande praça que embeleza a cidade. Enfim, é um lugar agradável. 
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No caminho, uma cena inusitada, na RS 561: uma boiada no meio da estrada.
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Não contei, mas eram umas 50 reses, tocadas por três gaúchos e mais um bando de guaipecas.
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Mais longe, cerca de uns 500 metros à frente da tropa, ia outro cavaleiro, sinalizando para os motoristas.
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Achei a cena interessante, e até tirei umas fotografias para compartilhar. No final, não houve atrapalho nenhum, pois em instantes eles apartaram o gado todo para a contramão da faixa, e pude passar tranquilo.

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Fiquei com uma boa lembrança, imaginando como devia ser esse trabalho antigamente, na época dos tropeiros. 
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Êta mundão véio sem porteiras...
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sábado, 4 de agosto de 2012

Concordo com o Barbosa.

" Em qualquer atividade humana, urbanidade e responsabilidade são qualidades que não se excluem. Mas, às vezes, a urbanidade presta-se a ocultar a falta de responsabilidade. A propósito, é com extrema urbanidade que muitas vezes se praticam as mais sórdidas ações contra o interesse público. "
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Ministro Joaquim Barbosa

sábado, 30 de junho de 2012

Paraguai - O crime perfeito



O crime perfeito contra Lugo
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O sociólogo Felippe Ramos (Universidade Federal da Bahia) fez para o site da revista "América Economia" o que os jornalistas deveríamos ter feito antes: visitou a peça de acusação que serviu para o fuzilamento sumário do presidente Fernando Lugo.
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Fica evidente que Lugo estava condenado de antemão. No item "provas que sustentam a acusação", se diz que "todas as causas [para o impeachment] são de notoriedade pública, motivo pelo qual não precisam ser provadas, conforme o ordenamento jurídico vigente".
Como é que Lugo - ou qualquer outra pessoa - poderia provar o contrário do que não precisa ser provado? Impossível, certo?
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O processo pode até ter seguido as regras constitucionais e o "ordenamento jurídico vigente", mas, nos termos em que foi colocada a acusação, só pode ser chamado de farsa. Veja-se, por exemplo, a primeira das acusações: Lugo teria autorizado uma reunião política de jovens no Comando de Engenharia das Forças Armadas, financiado por instituições do Estado e pela binacional Yacyretá.
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Se esse é argumento para cassar algum mandatário, não haveria presidente, governador ou prefeito das Américas que poderia escapar, de direita, de centro, de esquerda, de cima ou de baixo. Ademais, não consta que a Constituição paraguaia proíba o presidente ou qualquer outra autoridade de autorizar concentrações de jovens. Aliás, é até saudável que se estimule a participação política dos jovens.
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Mais: o evento foi em 2009. Se houvesse irregularidade, caberia ao Congresso ter tomado à época as providências, em vez de esperar três anos para pendurá-lo em um processo "trucho", como se diz na gíria latino-americana.
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A acusação mais fresca, digamos assim, diz respeito, como todo o mundo sabe, à morte de 17 pessoas, entre policiais e camponeses, em um incidente mal esclarecido no dia 15 passado. Diz a acusação: "Não cabe dúvida de que a responsabilidade política e penal dos trágicos eventos (...) recai no presidente da República, Fernando Lugo, que, por sua inação e incompetência, deu lugar aos fatos ocorridos, de conhecimento público, os quais não precisam ser provados, por serem fatos públicos e notórios".
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De novo, a acusação dispensa a apresentação de provas e condena por antecipação o réu, como faria qualquer república bananeira ou qualquer ditadura.
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Nem o mais aloprado petista pediu o impeachment do presidente Fernando Henrique Cardoso por conta da morte de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás (Pará), em abril de 1996, no incidente que mais parentesco tem com o que ocorreu há duas semanas em Curuguaty, no Paraguai.
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É importante ressaltar que líderes dos "carperos", os sem-terra paraguaios, disseram que os primeiros disparos no conflito do dia 15 não saíram nem deles nem dos policiais, mas de franco-atiradores.
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Enquanto não se esclarecer o episódio, qualquer "ordenamento jurídico" sério vetaria o uso do incidente em qualquer peça de acusação.
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Deu-se, pois, o crime perfeito: cobriu-se um processo sujo com o imaculado manto da Constituição.
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* Artigo do jornalista Clovis Rossi, da Folha (leia-se família Frias, apoiadores civis do golpe de 1964 no Brasil), publicado hoje no referido diário. Pescado aqui, no Diário Gauche.
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* A charge é de Maringoni, pescada no Carta Maior.
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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Em tempo de coligações...

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Como dizia o Luiz Inácio, na prática a teoria é outra. A charge é do venezuelano Emilio Agra, pescada aqui.
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sábado, 23 de junho de 2012

A crise no Paraguai e a estabilidade continental
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* Por Mauro Santayana
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Toda unanimidade é burra, dizia o filósofo nacional Nelson Rodrigues. Toda unanimidade é suspeita, recomenda a lucidez política. A unanimidade da Câmara dos Deputados do Paraguai, em promover o processo de impeachment contra o presidente Lugo, seria fenômeno político surpreendente, mas não preocupador se não estivesse relacionado com os últimos fatos no continente.
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Na Argentina, a presidente Cristina Kirchner enfrenta uma greve de caminhoneiros, em tudo por tudo semelhante à que, em 1973, iniciou o processo que levaria o presidente Salvador Allende à morte e ao regime nauseabundo de Augusto Pinochet. Hoje, todos nós sabemos de onde partiu o movimento. Não partiu das estradas chilenas, mas das maquinações do Pentágono e da CIA. Uma greve de caminhoneiros paralisa o país, leva à escassez de alimentos e de combustíveis, enfim, ao caos e à anarquia. A História demonstra que as grandes tragédias políticas e militares nascem da ação de provocadores.
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O Paraguai, nesse momento, faz o papel do jabuti da fábula maranhense de Vitorino Freire. Ele é um bicho sem garras e sem mobilidade das patas que o faça um animal arbóreo. Não dispõe de unhas poderosas, como a preguiça, nem de habilidades acrobáticas, como os macacos. Quando encontrarmos um quelônio na forquilha é porque alguém o colocou ali. No caso, foram o latifúndio paraguaio – não importa quem disparou as armas – e os interesses norte-americanos. 
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Com o golpe, os ianques pretendem puxar o Paraguai para a costa do Pacífico, incluí-lo no arco que se fecha, de Washington a Santiago, sobre o Brasil. Repete-se, no Paraguai, o que já conhecemos, com a aliança dos interesses externos com o que de pior há no interior dos países que buscam a igualdade social. Isso ocorreu em 1954, contra Vargas, e, dez anos depois, com o golpe militar.
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Não podemos, nem devemos, nos meter nos assuntos internos do Paraguai, mas não podemos admitir que o que ali ocorra venha a perturbar os nossos atos soberanos, entre eles os compromissos com o Mercosul e com a Unasul. 
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Mais ainda: em conseqüência de uma decisão estratégica equivocada do regime militar, estamos unidos ao Paraguai pela Hidrelétrica de Itaipu. O lago e a usina, sendo de propriedade binacional, se encontram sob uma soberania compartida, o que nos autoriza e nos obriga a defender sua incolumidade e o seu funcionamento, com todos os recursos de que dispusermos.
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Esse é um aspecto do problema. O outro, tão grave quanto esse, é o da miséria, naquele país e em outros, bem como em bolsões no próprio território brasileiro. Lugo pode ter, e tem, todos os defeitos, mas foi eleito pela maioria do povo paraguaio. Como costuma ocorrer na América Latina, o povo concentrou seu interesse na eleição do presidente, enquanto as oligarquias cuidaram de construir um parlamento reacionário. Assim, ele nunca dispôs de maioria no Congresso, e não conseguiu realizar as reformas prometidas em campanha.
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Lugo tem procurado, sem êxito, resolver os graves problemas da desigualdade, da qual se nutriram líderes como Morínigo e ditadores como Stroessner. Por outro lado, o parlamento está claramente alinhado aos Estados Unidos – de tal forma que, até agora, não admitiu a entrada da Venezuela no Tratado do Mercosul.
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O problema paraguaio é um teste político para a Unasul e o conjunto de nações do continente. As primeiras manifestações – entre elas, a da OEA – são as de que não devemos admitir golpes de estado em nossos países. Estamos, a duras penas, construindo sistemas democráticos, de acordo com constituições republicanas, e eleições livres e periódicas. Não podemos, mais uma vez, interromper esse processo, a fim de satisfazer aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos, associados à ganância do sistema financeiro internacional e das corporações multinacionais, sob a bandeira do neoliberalismo.
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Os incidentes na fronteira do Paraguai com o Brasil, no choque entre a polícia e os camponeses que ocupavam uma fazenda de um dos homens mais ricos do Paraguai, Blas Riquelme, são o resultado da brutal desigualdade social naquele país. Como outros privilegiados paraguaios, ele recebeu terras quase de graça, durante o governo corrupto e ditatorial de Stroessner e de seus sucessores. Entre os sem-terra paraguaios, que entraram na gleba, estavam antigos moradores na área, que buscavam recuperar seus lotes. Muitos deles pertencem a famílias que ali viviam há mais de cem anos, e foram desalojados depois da transferência ilegítima da propriedade para o político liberal. 
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E há, ainda, uma ardilosa inversão da verdade. A ação policial contra os camponeses era e é, de interesse dos oligarcas da oposição a Lugo, mas eles dela se servem para acusar o presidente de responsável direto pelos incidentes e iniciar o processo de impeachment. É o cinismo dos tartufos, semelhante ao dos moralistas do Congresso Brasileiro, de que é caso exemplar um senador de Goiás.
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Quando encerrávamos estas notas, a comissão de chanceleres da Unasul, chefiada pelo brasileiro Antonio Patriota, estava embarcando para Assunção, a fim de acompanhar os fatos. Notícias do Paraguai davam conta de que os chanceleres não serão bem recebidos pelos que armaram o golpe parlamentar contra Lugo, e que se apressam para tornar o fato consumado – enquanto colunas do povo afluem do interior para Assunção, a fim de defender o que resta do mandato de Lugo.
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Tudo pode acontecer no Paraguai – e o que ali ocorrer nos afeta; obriga-nos a tomar todas as providências necessárias, a fim de preservar a nossa soberania, e assegurar o respeito à democracia republicana no continente.
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* Pescado aqui, no Contexto Livre
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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Mas se alguém me pisar no pala...

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Diferente do Teixeirinha, não sou de Passo Fundo. Nasci em São Borja, me criei em São Luiz Gonzaga. Também não carrego medo, mas confesso que sou mais nervoso que gato em dia de faxina. Nunca derrubei prédio, mas se alguém me pisar no pala, o bochincho está feito. Sempre respeitei demais o trabalho dos outros, por isso não admito sacanagem. Depois do mal feito, não adianta ficarem dando desculpa esfarrapada. Afinal, fui ensinado que homem é homem, cachorro é cachorro. Cachorro, cadela, são uns bichos que numa hora estão se rosnando e mordendo, e na outra estão lambendo a bunda uns dos outros.
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