sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Ladrões de Merenda

Reproduzo um post do Tomando na Cuia, um de meus blogs preferidos:
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TCU condena ladrões de merenda do PSDB de Canoas
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Lembro um dia em que o deputado Marcon subiu a tribuna da Assembleia para falar sobre o desvio de recursos  da merenda escolar de Canoas na gestão tucana, e como lhe é peculiar, usou uma expressão que adotei: "ladrões de merenda". 
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Pois bem, ontem o Tribunal de Contas da União (TCU) condenou o ex-prefeito de Canoas Marcos Ronchetti (PSDB), o ex-secretário municipal da Educação Marcos Zandonai e a empresa SP Alimentação a pagar R$ 4 milhões aos cofres públicos. 
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Além de direicionar a licitação da merenda e fornecer quantidade menores, esses filhos da #*&*@$%!# ainda forneciam um alimento de baixa qualidade nutritiva para os alunos. Não bastava roubar, tinham que sacanear as crianças. Espero que a população de Canoas faça uma faxina nessa turma no dia 03 de outubro. 
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Saudosa senzala

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O Brasil mudou muito nesses últimos anos, e nem todos prestamos atenção ou nos demos conta, para bem ou para mal não somos os mesmos.
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Especialmente as classes C e D são as novas protagonistas num país que não estava acostumado com isso, agora elas compram, estão mais visíveis. Pequenos detalhes, como ter um telefone que era caro e difícil, hoje é barato e banal, estão acessíveis a geladeira nova, a TV maior, o trânsito está entupido por novos carros. Prestações e carnês enchem as lojas e esvaziam as prateleiras.
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Entre os irritados com a conjuntura atual, encontram-se alguns economistas que, em seus termos misteriosos, fazem previsões de que pagaremos caro pelos dias de fartura. Sei lá, sou ignorante de suas sabedorias.
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Mas há outro tipo de gente incomodada com a situação atual, e esses, sim, me exasperam: são os viúvos do sistema de castas, que tinham um sem-número de pobres à mercê de suas roupas velhas, pequenas esmolas e favores de senhor da casa-grande. Essa senzala invisível está sendo erradicada do coração dos mais humildes, mas sobrevive na memória recente dos mais abastados e não é fácil abrir mão dela.
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A diferença social fazia de qualquer remediado de classe média um senhor feudal, sua vida era mais admirável, seus bens mais reluzentes, seus filhos mais promissores. Hoje, o filho de uma empregada doméstica pode disputar vaga na universidade federal com o da patroa que estudou em escolas caras, graças ao sistema de cotas, o que enche esta última de indignação, e ambas podem ter o mesmo modelo de celular.
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Mesmo entre os intelectuais, uma miséria digna e consciente lhes parece mais atraente do que essas novas hordas de entusiastas consumidores, de quem lamentam a banalidade de horizontes.
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Um ser humano se torna o que é porque outro lhe faz espelho, contraponto. A miséria de uns auxilia a que a imagem de outros pareça mais faustosa, são papéis que se complementam. Melhores índices de qualidade de vida em um país, portanto, não têm motivo para agradar a todos, mesmo que seja por motivos inconfessáveis, inconscientes.
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Estamos muito longe da igualdade social com que sempre sonhei, mas esse novo quadro, aliado ao fato de que os candidatos mais importantes neste pleito são oriundos das fileiras da luta contra a ditadura, me deixa de bom humor. Gosto de ver a política viva, embora ela costume aparecer apenas trajada de escândalos, prefiro-a paramentada de promessas.
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Além disso, nunca esqueço que as eleições diretas foram uma árdua conquista, por isso, elas ainda me produzem certa emoção, simplesmente por existirem.
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Artigo de Diana Corso, Publicado hoje no Zero Hora.


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Nota do Blogueiro:

Há alguns meses, eu cancelei minha assinatura da Zero Hora. Um pouco por economia, pois qualquer vinte pilas a menos de contas, no fim do mês, é sempre bom. E outro tanto porque ficava muito bravo, com a linha editorial anti-petista do tablóide. Não conseguia mais ler o jornal sem notar que atrás de cada fotografia, manchete, parágrafos ou retranca havia uma intenção, mal escondida, de avacalhar a esquerda. Ficava com raiva, e com isso subia a pressão, o que não é bom. Decidi que não precisava de mais esse incômodo.Cancelei.

Além disso, a Djanira também não estava lendo mais. Ela está sempre às voltas com livros, lendo no mínimo dois, às vezes três ao mesmo tempo, e se informa pela Internet. Nem dava bola pro ZH. 

Mas não nego que, de vez em quando, surgem coisas boas no jornal da Azenha. Esse texto de hoje, da Diana Corso, que li de manhã no Diário Gauche, um dos meus favoritos, é maravilhoso. Resumido, simples e cheio de conteúdo.

E por coincidência, ontem mesmo, na nossa caminhada diária, tinha perguntando para Djanira qual  explicação psicológica para tanto ódio contra os "emergentes". E ela me deu essa mesma explicação. Muito bom.

Então, não resisti, e decidi compartilhar esse texto precioso. Boa leitura.

Vox Populi confirma: é Dilma no primeiro turno

terça-feira, 28 de setembro de 2010

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Dia de comício




Estava muito lindo o programa do Tarso, hoje, sobre o comício de sexta-feira.
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É nessas horas que eu sinto por moramos tão longe de Porto Alegre. Quinhentos quilômetros é muita distância. Um pessoal daqui foi, de excursão. Mas eu passei.
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Outro comício desse tipo, de novo, só em 2014.
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sábado, 25 de setembro de 2010

Depois me chamam de paranóico ...



A imagem acima reproduz a página inicial do IG, hoje, na parte sobre a cobertura das eleições. Depois me de digam se não parece manipulação de notícias, contra o PT, e a favor dos tucanos.
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Segundo a manchete principal, o Anastasia (do PSDB-MG), tem 42% no Vox Populi, e VENCERIA no primeiro turno.
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Mais abaixo, em título menor, a manchete diz que Tarso (do PT-RS), tem 45%, no mesmo Vox Populi, e PODE VENCER no primeiro turno.
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Pelo que eu sei, data venia, 45% é mais que 42%. Então, quem "venceria" (e vencerá) é o Tarso, e quem "pode vencer" é esse outro.
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Depois me chamam de paranóico ... 
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Baile do Sapucay



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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Eu odeio mosquitos

Eu vou morrer e não vou ver tudo, mesmo. Em um mês fui atacado duas vezes por enxames de mosquitos. Juro que eu não sabia que mosquito andava assim, em bando, mas é pura verdade. 

Eu sempre achei que eles esperavam a gente dormir, e depois vinham sorrateiramente sugar nosso sangue, mais ou menos como o Imposto de Renda faz com o salário. Mas agora, tive essas duas experiências, nas quais eles andavam em turma, atacando em esquadrilha. Talvez seja  alguma mutação genética.

A primeira vez foi numa madrugada em que estava trabalhando num flagrante e entrei numa peça da Delegacia que não é muito usada.  Quando acendi a luz, me deparei com um redemoinho de mosquito, acho que uns cento e cinqüenta, ou mais, não deu para contar, fiquei pasmo só com o zumbido. E os bichos se prevaleceram, atacaram, querendo me charquear.

Como já tinha experiência nesse tipo de confronto, uma vez com abelhas e duas vezes com marimbondos, usei a técnica adequada para me defender: cravei o pé. Mas não escapei de levar umas mordidas.

Daí, me revoltei, e resolvi extinguir com essas pragas. Comprei duas caixas de Boa-Noite, três SBP e vários refis, desses de botar na tomada. Esperei uma sexta à noite, e gastei todo um tubo de inseticida, dedetizando todas as peças. Depois, coloquei os refis nas tomadas, e acendi uns vinte Boa-Noite, em pontos estratégicos. 

A DP ficou parecendo um desses quartinhos de defumar salame, não dava para enxergar nada além de metro e meio. Por pouco não vieram os bombeiros, achando que era incêndio.

Repeti a operação no sábado e no domingo, mas não adiantou nada.  Desisti quando vi os bichos carregando um Boa-Noite aceso para o lado da Sanga das Piúgas. Acho que ficaram viciados. Deve ser tipo maconha para eles.

Da outra vez, estava caminhando à tardinha, e pisei na grade de uma boca-de-lobo, na esquina da Sete de Setembro com a Moreira César. Quando percebi, estava bem no meio de outro rebanho de mosquitos. Desta vez, eram milhares. Ainda bem que eu não sou boca-aberta, respiro pelo nariz, senão tinha engolido meia dúzia.

De novo, tive que estufar a bombacha na bunda, correndo, porque eles são selvagens, se atracam, mesmo.

A gente conta brincando, mas esse problema é sério. No ano passado conversei sobre isso com um oficial do Exército, que antes de vir para Dom Pedrito trabalhou em tudo quando é canto do Brasil, norte, nordeste, Amazonas, Pantanal. Ele tem curso de sobrevivência na selva e tudo o mais, e contou que, mesmo nesses lugares inóspitos, nunca tinha visto tanto mosquito quanto aqui.

Pelo jeito, devemos estar em primeiro lugar no ranking nacional de mosquitos per capita.

Alguma coisa precisa ser feita, e não basta tapar a Sanga, pois nos lugares onde ela foi canalizada a situação é a mesma, os mosquitos saem das bocas-de-lobo ou de pátios onde há lixo acumulado.

Graças a Deus, o mosquito transmissor da dengue, o tal aedes egypti, parece que não sobrevive por aqui, senão já haveria algum contágio. Eu, que fora esses causos, fui mordido outras trocentas vezes, era um que já tinha esticado as canelas.

Acho que vou fazer uma comunidade no Orkut, “Eu não gosto de mosquitos”, só pra ver se tem algum conterrâneo (agora sou cidadão pedritense) que concorde comigo. Ou melhor, vamos combinar, quem tiver algo a dizer sobre o assunto, por favor mande um e-mail para o endereço acima.

Depois eu conto se tem mais alguém incomodado, ou se estou sozinho nessa.

Original publicado no jornal Folha da Cidade, Dom Pedrito, 11.11.2006


Hoje é dia de lembrar da Olga

O site Vermelho, do PCdoB, falando na data de hoje na história, lembra que em 23 de setembro de 1936, o governo brasileiro, em uma das páginas mais infelizes de nossa história, entregou Olga Benário Prestes à Alemanha de Hitler.

Olga, na ocasião com 28 anos e grávida de sete meses, foi embarcada em um navio alemão e levada pela Gestapo direto para os campos de concentração, ou melhor, campos de extermínio nazistas.

Lá, deu a luz a uma menina, Anita Leocádia Prestes, que lhe foi tirada pelos nazistas, e somente resgatada, pela mãe de Prestes, anos depois, devido a uma intensa mobilização humanitária internacional. Luiz Carlos Prestes, nesse tempo, estava preso (1935-1945) por ter liderado a Intentona Comunista.

Depois de passar por vários campos de trabalho escravo, Olga foi assassinada, como milhares de outras pessoas, nas câmaras de gás do campo de concentração de Bernburg, em dia ignorado, na pascoa de 1942.

Considero importante que as novas gerações conheçam essa história. Isso não aconteceu em filmes, é vida real.

Para isso recomendo dois livros: "Olga", de Fernando Morais, e "O Cavaleiro da Esperança", de Jorge Amado. "Olga" é mais fácil de achar. "O Cavaleiro" acho que não está em catálogo nenhum, o que é uma pena, pois é imprescindível para quem pretenda entender o Brasil. Mas deve haver alguns, pelos sebos da vida.

Na fotografia lá em cima, Olga já está presa, indo prestar depoimento, acompanhada de um policial. Um tratamento aparentemente civilizado, por parte de um Governo que logo depois a entregou para a morte certa.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Quanto vale uma praça, afinal?

Em dezembro do ano passado (14.12.2009, para ser mais exato), postei um texto aqui, com meu entendimento sobre o local onde está sendo construído o novo Fórum da nossa gloriosa Comarca.

Posto novamente, não só para chamar a atenção quanto à localização desse texto, no calendário, mas para deixar claro que não houve um "ataque ao Poder Judiciário", como uns e outros andam espalhando por aí.

Trata-se, simplesmente, da minha opinião cidadã, constitucionalmente protegida, sobre um tema de interesse da cidade. Aliás, a resposta até hoje não foi prestada: quanto vale uma praça, afinal?

Repito a crônica também, é claro, para que os amigos que não conheciam o blog, na época, possam fazer a leitura, agora.

Vai lá:

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Quanto vale uma praça?

Alguns dias atrás, a cidade parou para a cerimônia de lançamento da pedra fundamental do novo Fórum. O edifício será construído na Praça ao lado do Hospital Materno infantil, e a cerimônia reuniu a nata da sociedade são-luizense.


Eu não fui na festa. Não que seja contra a construção, ou contra a melhoria das condições em que o Estado, por qualquer de seus poderes, presta seu serviço público. Acho correto que os funcionários do Judiciário tenham condições confortáveis de trabalho, da mesma maneira que todos os servidores, de todos os órgãos, deveriam ter. Apenas resolvi não ir.

Não posso prestigiar uma cerimônia, por mais meritória que seja, que esteja embasada na destruição de uma praça, em uma região da cidade na qual não poderá ser substituída. Sei que houve debate acerca da localização do prédio, antes de minha transferência para cá. E que ganhou a posição "desenvolvimentista". É preciso construir o prédio ali para desenvolver o bairro, disseram. E para que São Luiz seja um polo de desenvolvimento regional. Daí o Alcaide correu a doar o terreno de uma preciosa praça para que, derrubadas as árvores necessárias, seja construído o prédio de seis andares.

Eu lembro do início dessa praça. Quando eu era bem pequeno, nos anos 1970, a Construtora Veloso e Camargo veio para São Luiz, construir a BR 285. E se instalou em todo aquele quarteirão do Bairro Agrícola, a uma quadra ao norte da avenida, e duas quadras ao leste da Rua Hipólito Ribeiro. Eles construíram uma vila de casas pré-fabricadas, ao redor da quadra, e no miolo do quarteirão, um campo de futebol espetacular, todo nivelado e cercado por tela.

Depois que e BR ficou pronta, e a construtora foi embora, e restou o campo, nivelado, no qual passávamos as tardes jogando memoráveis peladas, gazeando a aula no Polivalente. Alguns craques saíram dali.

Na década de 1980, caparam a metade do terreno, e construíram o Hospital Materno Infantil. Depois, foram ampliando o prédio, para abrigar outros serviços municipais, especialmente na área da saúde.

A parte de baixo da praça foi deixada em paz desde então, e as árvores cresceram, havendo atualmente muitas com altura superior a vinte metros. A praça contém, inclusive, vários caminhos internos, e com um pouco de capricho, um parquinho para crianças e umas mesas de damas para os idosos, poderia ser facilmente transformada em uma praça tão aprazível quando a da Matriz, no Centro, reconhecida como uma das mais belas do Estado.

Não sei por que raios o Judiciário resolveu construir logo ali o novo prédio, ocupando mais um quarto do quarteirão. E acho que a Prefeitura doou sem pensar muito. Melhor não contrariar o Judiciário ...

Há alguns erros nesse encaminhamento, na minha singela opinião.

Primeiro, tá certo que é o "maior investimento público da história”, um prédio de 11 milhões de reais, e blá-blá-blá. Mas não é por isso que tinha que ser logo ali. Poderia ser qualquer outro terreno que a prefeitura tivesse, ou então desapropriasse para repassar ao Judiciário, tendo em vista o interesse público.

Mas não esses espaços estratégicos, já usados como praça ou com potencial para essa ocupação. O investimento em praças, com áreas de lazer e quadras para prática esportiva, é uma das principais maneiras do Município investir em Segurança Pública, muito mais eficaz que doar viaturas para a Polícia ou a Brigada.

Segundo, por qual razão o Judiciário, que tem dinheiro sobrando para construir prédios de milhões de reais, não compra os terrenos, devendo as prefeituras bancar essa despesa? É como se fosse a vaca mamando no terneiro.

Uma Prefeitura na qual faltam recursos para investimentos mínimos, como pavimentação decente nas ruas, ajudando um Poder que possui verbas suficientes para comprar qualquer terreno que quisesse. As prefeituras deveriam ser liberadas desse ônus, quando mais não fosse para construírem seus próprios prédios, para atendimento mais qualificado aos cidadãos e melhores condições de trabalho para o funcionalismo.

Terceiro, para mim é equivocado retirar esse serviço do Centro da cidade, para longe dos bancos, do transporte coletivo, do comércio, dos escritórios de advogacia, dos cartórios extrajudiciais, da Prefeitura, da Câmara, etc, e levá-los para quase dois quilômetros de distância. Haverá, imediatamente, uma demanda por investimentos da Prefeitura no entorno do novo prédio, do Transporte Coletivo à pavimentação, serviços esses que já estão prontos no Centro da cidade.

A descentralização vai no sentido oposto às tendências modernas de urbanismo, que defendem a concentração de serviços públicos em um determinado bairro, para que haja menos deslocamento, menos poluição pela fumaça dos carros, etc.

Soube que a vereadora Xuxu, do PT, foi uma das poucas pessoas lúcidas que argumentou sobre a possibilidade de buscar um local alternativo para o Foro. Mas basta acompanhar as sessões da Câmara, para ver que não passa uma semana sem que um vereador da situação a chame de "inimiga da cidade", por sua posição naquele debate.

O Edil a acusa de trabalhar para que São Luiz não se transforme em cidade-polo da microrregião, por ter defendido uma discussão melhor sobre a doação da praça para o Judiciário. Esse é um raciocínio muito superficial.

Para mim, andou correta nossa companheira, ao tentar defender um dos últimos espaços públicos da extinção. Sim, porque em todas as cidades em que foi construído novo Fórum, logo adiante é construído ao lado um prédio do Ministério Público. E aposto uma via do Edital da Privaização, como a Prefeitura correrá a doar o restante da praça para o MP.

Além disso, é uma primariedade acreditar que a construção de um Fórum vá colaborar para nosso fortalecimento como cidade-polo. A regionalização se dá em função do modelo de desenvolvimento econômico. Se a economia determinar que São Luiz seja polo, assim será. Se a economia não se organizar nesse sentido, não vai adiantar construir nem Foro, nem Mirante, nem a Torre Eifell no Bairro Agrícola, que não será cidade-polo.

É uma pena que o próprio Poder Judiciário não tenha pensado em alternativas menos traumáticas para o futuro da cidade. Mas agora, o mal está feito. Inês é morta, e aquelas árvores logo serão.

Eu fico me perguntando quanto vale uma praça. Quanto vale aquela praça. Para mim, vale mais do que o prédio, por mais bonito, chique, caro ou funcional que seja.
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OBSERVAÇÃO DO BLOGUEIRO

Sempre tive a maior consideração pelo Poder Judiciário, pelos Juízes de Direitos e pelos demais servidores da Justiça.

Já escrevi aqui que "me criei" dentro de um Cartório extrajudicial, onde cheguei a trabalhar, no início dos anos 1980. Já fui aprovado em concurso para Oficial Escrevente (1988), e Oficial de Justiça (1992), e em ambos os casos, só não fui trabalhar no Judiciário por que minha situação profissional na Caixa Federal era melhor. Mas confesso que meu coração balançou, na época.

Nunca fiz concurso para Juiz Estadual, mas cursei a Ajuris, logo após formado. E lá aprendendi muito com os vários professores juízes e desembargadores, como inesquecível Márcio de Oliveira Puggina, sobre o qual também já escrevi neste blog.

E nas inúmeras vezes em que me relacionei com o Judiciário, como profissional ou como cidadão, sempre tive a melhor resposta possível.

Assim, não dá para admitir que analfabetos funcionais, ou pessoas mal-intencionadas, queiram utilizar o texto acima para provocar intrigas.